Temer diz que STF está acima de disputas individuais e cobra solução rápida para crise
O ex-presidente Michel Temer (MDB) cobrou nesta quarta-feira (9) uma solução rápida do Supremo Tribunal Federal (STF) para conter o clima de instabilidade no país. Em vídeo divulgado nas redes sociais, ele afirmou que “o que deve prevalecer não são as pessoas, mas sim as instituições”.
Responsável pela indicação do ministro Alexandre de Moraes ao STF, Temer disse que não atua em defesa de nomes específicos. “Manter, portanto, a integridade do Supremo Tribunal Federal e preservar a harmonia dos Poderes é uma questão de sobrevivência para a nossa República”, declarou. Segundo o ex-presidente, “pessoas tomam suas decisões e no tempo certo terão a oportunidade de apresentar suas manifestações. O que me move não é defesa de indivíduos, mas a defesa irrestrita da integridade das instituições”.
Temer destacou que a Constituição é a expressão máxima da vontade popular e que qualquer desobediência às suas regras configura afronta direta à soberania do povo. Ele afirmou ainda que “muitos apontam que há uma certa insensatez na forma como essas crises vêm sendo conduzidas” pela Corte, e que há “no mínimo uma grave dificuldade em compreender o papel das nossas instituições”.
O ex-presidente relacionou o momento à proximidade das eleições. “Daqui a poucos dias, pelo voto, o povo brasileiro outorgará uma procuração aos seus futuros governantes e legisladores. O clima deveria ser de debate plural, focado no futuro do Brasil, mas, infelizmente, não é isso que nós estamos percebendo”, acrescentou. Ele defendeu que eventuais responsabilidades sejam apuradas, mas reforçou que a superação dos episódios deve ocorrer por meio do diálogo. “Que as responsabilidades sejam apuradas, claro, mas que o nosso norte seja sempre a harmonia, a paz e a defesa da nossa Constituição”, pontuou.
A crise teve início no último dia 1º, quando o ministro André Mendonça retirou o sigilo de mensagens trocadas entre Moraes e Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. Em resposta, Moraes pediu autorização para investigar Mendonça no inquérito das fake news. O presidente da Corte, Edson Fachin, só se posicionou sobre o caso nesta quarta (9). Ele travou as apurações envolvendo integrantes do STF e suspendeu tanto a ordem de Mendonça, que havia afastado a cúpula da Polícia Federal, quanto a decisão do ministro Flávio Dino, que havia ordenado o retorno imediato dos delegados aos cargos. Fachin também afastou Moraes da relatoria do inquérito das fake news e assumiu a condução das investigações. O plenário decidirá na próxima terça (15) sobre o pedido de investigação contra Moraes.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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