STF analisa abertura de inquérito contra Alexandre de Moraes nesta terça
O Supremo Tribunal Federal realiza nesta terça-feira sessão extraordinária para decidir se instaura inquérito contra o ministro Alexandre de Moraes. A sessão ocorre no plenário da Corte, em Brasília, e tem como base suspeitas de relações indevidas entre o ministro e o banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master. O caso provoca forte divisão interna entre os magistrados.
A investigação se concentra na relação entre Moraes e Vorcaro. Um relatório da Polícia Federal listou 52 mensagens enviadas pelo banqueiro ao ministro no final de 2025. O documento aponta que Moraes teria editado um contrato de 131 milhões de reais entre o banco e o escritório de advocacia de sua família. As apurações também indicam que Vorcaro teria buscado se aproximar de autoridades para tentar frear investigações sobre fraudes bilionárias em sua instituição financeira, chegando a consultar o ministro sobre ordens de prisão e viagens ao exterior.
O tribunal está dividido. O relator André Mendonça e o presidente Edson Fachin são vistos como favoráveis à investigação, acompanhados pelos ministros Luiz Fux e Kassio Nunes Marques. Do outro lado, Gilmar Mendes, Flávio Dino e Cristiano Zanin, aliados de Moraes, buscam formas processuais de barrar o inquérito e questionam a validade do relatório da PF, alegando que Mendonça agiu sem autorização do plenário. Há possibilidade de pedido de vista, quando um ministro solicita mais tempo para analisar o caso, o que pode adiar o desfecho.
Moraes nega qualquer irregularidade e afirma ser vítima de uma farsa montada por André Mendonça como forma de vingança institucional. Ele sustenta que nunca conversou diretamente com Vorcaro e que as mensagens citadas no relatório policial são baseadas em deduções da PF, não em diálogos reais. Sobre o contrato com o escritório de sua família, o ministro defende que a prestação de serviços foi regular, devidamente declarada, e que o escritório não atua em processos dentro do STF. Ele pede a anulação imediata das investigações conduzidas pelo colega.
A sessão seguirá o rito tradicional, começando com a leitura do relatório pelo ministro Edson Fachin. Em seguida, a Procuradoria-Geral da República e os advogados farão sustentações orais. Antes de decidirem sobre o mérito, os ministros devem analisar questões preliminares, dúvidas técnicas sobre a legalidade das provas. Se essas questões forem aceitas, a investigação pode ser anulada antes mesmo da votação principal. Caso contrário, os dez ministros votam por ordem de antiguidade para definir se o inquérito será aberto ou se o pedido da defesa para arquivar será aceito.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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