Da Noruega, ventos frios para a transição energética
A conferência Offshore Northern Seas (ONS), realizada entre 24 e 27 de agosto em Stavanger, na Noruega, reuniu quase 70 mil participantes de 92 países e reforçou duas tendências que ganharam força no setor de energia: a retomada do interesse por petróleo e gás natural e o recuo da transição energética baseada na redução desses combustíveis.
No evento, a abertura de novas fronteiras exploratórias — como o Ártico, o Alasca e a Margem Equatorial Brasileira — recebeu destaque, em meio a turbulências geopolíticas que afetam os preços dos hidrocarbonetos e a questionamentos sobre a viabilidade das tecnologias de redução de emissões. Várias empresas manifestaram intenção de voltar a pesquisar e explorar o Mar do Norte, revertendo tendência das últimas décadas influenciada pelo conceito de “carbono zero líquido” (net zero).
Representantes de grandes petroleiras relataram dificuldades para viabilizar comercialmente tecnologias como hidrogênio “verde”, captura de carbono (CCS) e eólicas offshore. O CEO da TotalEnergies, Patrick Pouyanné, afirmou que a indústria voltou ao “fundamento da energia, que é o preço acessível”, e citou o projeto de armazenamento de carbono Northern Lights, joint-venture entre TotalEnergies, Shell e a estatal norueguesa Equinor: “Temos dificuldades em encontrar clientes.” O executivo criticou a política da União Europeia que obriga empresas a investir em captura de carbono “sem clientes”.
O CEO da Shell, Wael Sawan, disse que a empresa não conseguiu criar o retorno esperado e está se direcionando para outros segmentos, como baterias e comercialização de energia. A diretora de Exploração e Produção da Petrobras, Sylvia Anjos, concordou com a dificuldade de encontrar clientes dispostos a pagar o preço dos combustíveis de menor emissão. O ministro de Energia da Noruega, Terje Aasland, admitiu que ainda serão necessárias mais pesquisas e tecnologias para viabilizar tais projetos.
Dos Estados Unidos, o presidente da Comissão de Pesquisa do Ártico (USARC), Thomas Dans, afirmou que o Alasca é uma das regiões com maior potencial de desenvolvimento energético e deve receber mais de US$ 55 bilhões em investimentos nos próximos anos. Aasland aproveitou a conferência para advertir a União Europeia a não interferir nos planos noruegueses de exploração de hidrocarbonetos no Ártico e afirmou que o país pretende manter produção e exportações de petróleo e gás nos níveis atuais até pelo menos 2035, com o Mar de Barents crucial para o objetivo.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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