Startups: Futuro da TV? Roku lança canal com programação 100% “AI slop”
A Roku colocou no ar, nos Estados Unidos, um canal gratuito cuja programação é inteiramente composta por vídeos gerados por inteligência artificial. Batizado de Fairground AI, o canal exibe conteúdo sintético 24 horas por dia, com intervalos comerciais preenchidos por anúncios também produzidos por IA.
O criador do canal, Colin Petrie-Norris, apresentou a iniciativa como o primeiro canal de streaming totalmente sustentado por publicidade e dedicado a conteúdo de IA. Segundo a publicação especializada Variety, o material é produzido por criadores recrutados por ele nas redes sociais. Na ocasião, ele prometeu "alcance massivo" e afirmou que o conteúdo se diferenciaria do chamado "AI slop" — termo usado para designar material de baixa qualidade gerado por máquinas — pela atenção à narrativa. Os primeiros clipes, no entanto, ainda não confirmam essa expectativa: os vídeos exibem movimentos truncados, diálogos com pausas artificiais, objetos deformados e uma física sem realismo.
Um exemplo que circula nas redes é um suposto drama medieval com cortes bizarros entre cenas e diálogos entregues com a cadência estranha de um videogame antigo. "Enfim, a IA pode liberar o potencial criativo de pessoas que não sabem escrever, não entendem de ritmo ou transições, não estão familiarizadas com expressões faciais humanas etc.", ironizou um espectador.
Apesar da qualidade duvidosa, a aposta encontra respaldo no comportamento do público. Um estudo da Kapwing estimou que entre 21% e 33% do feed do YouTube já é composto por conteúdo gerado por IA de baixa qualidade, e que mais de 20% dos vídeos recomendados a novos usuários se enquadram nessa categoria. O levantamento mapeou 278 canais puramente sintéticos, que somavam 63 bilhões de visualizações, 221 milhões de inscritos e uma receita anual estimada em US$ 117 milhões.
Há, porém, sinais de saturação. Uma pesquisa da consultoria Billion Dollar Boy indica que o entusiasmo do consumidor com conteúdo de criadores feito por IA caiu de 60% em 2023 para 26% em 2025. Outro estudo, da Animoto, aponta que 68% associam a presença de pessoas reais à autenticidade de um vídeo. Sob pressão, o próprio YouTube reagiu: em janeiro de 2026, a plataforma removeu 16 grandes canais do tipo, o equivalente a cerca de 4,7 bilhões de visualizações e 35 milhões de inscritos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial, a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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