Site Perseguidos expõe quase mil casos de censura determinados pelo STF
A plataforma Perseguidos.com reúne 928 relatos de brasileiros que afirmam ter sido silenciados por decisões do Supremo Tribunal Federal (STF), com foco especial no Inquérito 4.781, conhecido como Inquérito das Fake News. Lançado em setembro de 2026, o acervo reúne histórias de jornalistas, políticos e cidadãos comuns que sofreram bloqueios em redes sociais e prisões, e funciona também como um abaixo-assinado pelo fim das investigações sob sigilo.
Segundo os organizadores, o objetivo é preservar a memória de pessoas que enfrentaram sanções judiciais nos últimos sete anos e dar transparência a medidas que, na avaliação do projeto, violam garantias constitucionais e o direito à liberdade de expressão. Idealizada pelo advogado Rodrigo Marcial, a iniciativa pede ao ministro Edson Fachin, atual presidente do STF, o arquivamento definitivo do inquérito.
Casos citados
Entre os relatos está o do jornalista Jackson Rangel, do Espírito Santo, que ficou preso por um ano sem denúncia formal após criticar o Supremo e teve seu caso citado pelos Estados Unidos como exemplo de abuso judicial. Outro destaque é o do ex-deputado Homero Marchese, que teve as redes sociais bloqueadas por seis meses após postar sobre um evento de ministros em Nova York. Marchese chegou a ganhar indenização por danos morais contra a União, mas o ministro Alexandre de Moraes anulou a sentença e processou o juiz que havia concedido o direito à reparação financeira.
Base de dados e apoio no Congresso
A coleta das 928 histórias levou cerca de um ano e usou fontes públicas e jornalísticas, com colaboração da jornalista Ana Maria Cemin, que registra relatos de investigados pelos atos de 8 de janeiro. Também foram incorporadas reportagens da Gazeta do Povo e de veículos regionais sobre operações da Polícia Federal e decisões do STF e do TSE. A plataforma organiza os dados em uma cronologia de medidas judiciais, oferece um mapa com a distribuição geográfica dos atingidos e permite o envio de novos depoimentos.
No Congresso, a discussão sobre transparência já mobilizou o Senado: em levantamento anterior, 33 senadores manifestaram apoio à necessidade de conhecer o número real de perfis derrubados por ordens judiciais. Rodrigo Marcial defende que a abertura desses dados permitiria analisar possíveis violações e criar comissões para discutir responsabilidades administrativas e criminais. Para a defesa dos citados, as proibições de usar redes sociais ou conceder entrevistas configuram censura sem paralelo na lei.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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