Líderes de esquerda na América Latina demonstram receio com avanço de Flávio Bolsonaro
Governos de orientação esquerdista no México, no Uruguai e em Cuba acompanham com apreensão a disputa presidencial brasileira. Diante da vantagem de Flávio Bolsonaro no primeiro turno, essas gestões temem isolamento político e ideológico na região. A preocupação central é que uma derrota de Luiz Inácio Lula da Silva no segundo turno, marcado para o próximo domingo (25), elimine o principal contrapeso ao bloco conservador no continente.
No México, a presidente Claudia Sheinbaum adotou postura cautelosa e afirmou que é necessário aguardar o resultado do segundo turno. Embora tenha declarado que o principal aliado de sua gestão é o próprio povo mexicano, usou tom crítico ao falar sobre a onda de vitórias da direita na América Latina. Para Sheinbaum, os movimentos de direita atuam contra os interesses populares e não defendem o povo. Ela também denunciou a existência de uma intenção de intervenção da direita internacional no México, algo que sua gestão tem combatido.
No Uruguai, lideranças da coalizão Frente Ampla classificam a disputa brasileira como um embate entre democracia e barbárie e expressam temor de que uma vitória da direita resulte em perda de direitos sociais. Em Cuba, o regime castrista, por meio da Casa das Américas, defende uma ação mundial para frear o que chama de avanço do neofascismo, vendo o pleito brasileiro como uma trincheira decisiva. Opositores ao regime cubano lembram que o Brasil tem sido um aliado histórico de Havana, com fornecimento de créditos e recursos, apoio que deve cessar caso ocorra mudança no comando do Palácio do Planalto.
Segundo analistas políticos, o Brasil detém o maior poder relativo na América Latina e funciona como pilar de coesão ideológica para governos alinhados. Uma eventual vitória de Flávio Bolsonaro removeria o principal ator capaz de equilibrar o avanço conservador na região. Sem o apoio brasileiro em fóruns internacionais e debates multilaterais, países como México, Cuba e Uruguai perderiam sua maior voz de ressonância, o que os forçaria a uma posição mais solitária e defensiva e reduziria sua capacidade de influenciar as pautas políticas do continente.
Apesar das afinidades históricas, o governo Lula tem enfrentado atritos com regimes como o da Nicarágua, chegando à expulsão mútua de embaixadores após discordâncias diplomáticas e críticas brasileiras à falta de liberdade eleitoral no país centro-americano. Além disso, países como Venezuela e Guiana, embora liderados pela esquerda, têm se aproximado dos Estados Unidos sob a influência de Donald Trump por questões de segurança e exploração econômica. Uma mudança de governo no Brasil ampliaria a influência direta americana na região, isolando ainda mais as ditaduras da Venezuela e da Nicarágua.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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