Rafael Fonteles, o governador mais votado do país: como matemático 'superdotado' virou uma esperança para PT
Rafael Fonteles (PT) foi reeleito governador do Piauí com 70% dos votos, a maior votação em disputas estaduais no país neste ano. Aos 41 anos, ele é apontado por aliados e analistas como um nome com potencial para voos nacionais, seja como futuro candidato à Presidência ou em cargos de primeiro escalão.
Visto como um petista pragmático, de uma ala mais liberal do partido e defensor de uma "frente ampla" com legendas de centro, Fonteles construiu uma trajetória que combina herança política e perfil empresarial. Filho do ex-deputado Nazareno Fonteles, quadro histórico do PT piauiense, ele estudou em uma das escolas particulares mais conceituadas de Teresina e concluiu o mestrado em Economia no Instituto Nacional de Matemática Pura e Aplicada (Impa) em apenas um ano, aos 21 anos. Ainda menor de idade, fundou um cursinho pré-vestibular que se tornaria um dos principais colégios particulares da capital.
Sua primeira incursão na política veio em 2015, como secretário da Fazenda, por convite do então governador Wellington Dias. Eleito governador pela primeira vez aos 37 anos, o mais jovem do Piauí, Fonteles imprimiu uma marca de gestão associada a resultados na educação e, especialmente, na segurança pública, com uso de tecnologia para recuperação de celulares e veículos roubados. Segundo o último Anuário Brasileiro de Segurança Pública, o Piauí é hoje o Estado menos violento do Nordeste.
O nome de Fonteles tem sido citado por lideranças petistas como possível herdeiro político. Em entrevistas à BBC News Brasil durante a campanha, os ex-ministros José Dirceu e Fernando Haddad apontaram o governador quando perguntados sobre a sucessão de Lula. "O Rafael Fonteles é um quadro que vai despontar no Brasil", afirmou Haddad. Questionado sobre planos nacionais, Fonteles desconversou: "Nosso foco é totalmente o Piauí".
Para o cientista político Vitor Sandes, da Universidade Federal do Piauí (UFPI), o movimento faz parte de uma renovação do PT. "Ele consegue enquadrar uma herança do lulismo, fundamental dentro do PT, mas ao mesmo tempo trazer uma renovação com eleitores que se identificam com outras perspectivas e demandas", avalia. Entre as críticas recorrentes à sua gestão estão as frequentes viagens internacionais e os gastos associados a elas, que o governador defende como missões para atrair investimentos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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