Quem paga a conta mais pesada? O peso financeiro no varejo
Despesas financeiras mais que dobram no varejo mais pressionado, aponta estudo
Um levantamento da Málaga & Associados com 30 empresas de varejo e consumo listadas na B3 mostra um abismo na saúde financeira do setor. Enquanto um grupo de 15 companhias compromete, em média, 12,3% da receita líquida com despesas financeiras em 2026, outro grupo de 15 empresas destina apenas 3,1% para o mesmo fim. O estudo, assinado por Flávio K. Málaga e Victor Marques, foi enviado ao InfoMoney e acompanha as demonstrações financeiras das companhias entre 2018 e 2026, com os dados deste ano anualizados a partir do período disponível.
No grupo mais pressionado, a relação entre despesas financeiras e receita líquida saltou de uma média de 5,1% em 2018 para os atuais 12,3%. A CVC lidera a lista, com a fatia subindo de 7,7% para 23% no período. Na sequência aparecem Cosan (20,5%), Marisa (19%), Smart Fit (18,6%) e Grupo Toky (17,6%). O Grupo Casas Bahia registra 8,3%, ante 2,5% em 2018. Para dimensionar o peso, a consultoria usa uma margem operacional de referência de 5,3%, equivalente à média de cinco anos das 15 companhias com as maiores margens da amostra. No grupo mais pressionado, a despesa financeira média equivale a mais que o dobro desse patamar — uma linha que foi ultrapassada em 2020 e não voltou a cair abaixo dela desde então.
No lado oposto, as 15 empresas menos pressionadas têm despesas financeiras entre 1,3% e 4,7% da receita, um nível que a margem operacional do grupo ainda consegue cobrir. Grupo SBF e União Pet aparecem com 4,7%, seguidas por Azzas 2154 (4,6%), Automob (4,4%) e C&A (4,3%). Magazine Luiza registra 3,5%, Raia Drogasil 2,5%, Grupo Mateus 2,1%, Lojas Renner 1,6% e Vibra Energia 1,3%. A presença nesse segundo grupo, porém, não significa ausência de desafios. O Magazine Luiza, por exemplo, teve prejuízo líquido ajustado de R$ 50,4 milhões no segundo trimestre, e sua margem operacional média de cinco anos é de apenas 1,9% — abaixo da relação de despesa financeira de 3,5%.
O estudo pondera que a taxa de juros explica parte, mas não toda, a diferença entre os grupos. Para a consultoria, o ambiente de juros elevados evidenciou problemas de estrutura de capital e de modelo de negócio que já separavam as companhias. A leitura é que uma queda da Selic tende a aliviar a pressão, mas não elimina a necessidade de ajustes nas empresas mais endividadas. Entre as alternativas citadas estão renegociação de dívidas, venda de ativos, aporte de capital e, em casos extremos, recuperação extrajudicial ou judicial. O ponto de partida de cada companhia, especialmente a relação entre despesas financeiras, receita e margem operacional, segue decisivo para determinar o efeito do novo ciclo de juros.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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