Quanto capital pode entrar na Bolsa se rali continuar? Morgan vê até R$ 945 bi
Depois da forte alta da Bolsa brasileira após o primeiro turno das eleições, a discussão entre analistas passou a ser de onde virá o dinheiro capaz de sustentar uma nova etapa da valorização. Em relatórios distintos, Morgan Stanley e Itaú BBA estimam o volume que poderia migrar para a renda variável caso os investidores retomem alocações históricas em ações.
Nas contas do Morgan Stanley, apenas uma recomposição dos fundos locais poderia direcionar R$ 176 bilhões, R$ 615 bilhões ou até R$ 945 bilhões para a Bolsa, dependendo de quanto a participação das ações no patrimônio da indústria volte a crescer. Os fundos de ações representam hoje 6% desse patrimônio, segundo o banco, ante 15% em 2007 e 12% em 2009. Os três cenários consideram a fatia subindo para 8%, 12% e 15%, respectivamente. No cenário extremo, o volume equivaleria a cerca de 25% da capitalização do MSCI Brazil e 38% de seu free float.
O banco descreve o posicionamento local como especialmente baixo: a alocação doméstica em ações está em cerca de 5%, pouco acima da mínima histórica de 4,6%, contra média de 8,5% e máximo de 15%. A instituição chama o movimento de "Great Rebalancing", processo de vários anos de transferência de capital da dívida para ações, cuja condição central é a consolidação fiscal. Apesar da alta de aproximadamente 13% das ações brasileiras no pregão analisado, o Morgan Stanley ainda vê potencial de 15% a 20% ou mais até o fim de 2026 e espaço adicional em direção ao cenário mais otimista de 250 mil pontos para o Ibovespa.
O Itaú BBA calcula R$ 270,2 bilhões de fluxo adicional caso estrangeiros e investidores locais retornem às médias históricas de exposição. Desse total, R$ 123,1 bilhões viriam de estrangeiros, se o peso brasileiro no MSCI Emerging Markets subisse dos atuais 4,03% para a média histórica de 5,58%. Outros R$ 147,1 bilhões viriam de investidores domésticos, caso os fundos de ações passassem dos atuais 7,6% do patrimônio da indústria para a média de 8,9%. No cenário extremo, com a participação local voltando à máxima histórica de 13,1%, o BBA estima R$ 622,4 bilhões de fluxo doméstico potencial, migração que dependeria de taxas nominais inferiores a 12%.
As duas análises partem de metodologias diferentes, e seus números não são diretamente comparáveis. Os valores de R$ 270 bilhões, R$ 622 bilhões e R$ 945 bilhões devem ser entendidos como cenários distintos, e não como previsões concorrentes para um mesmo fluxo. A conclusão comum é que, depois de um primeiro movimento puxado pela reprecificação dos ativos, a próxima perna do rali pode ganhar combustível da recomposição das carteiras, principalmente se a queda dos juros reduzir a atratividade relativa da renda fixa.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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