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Programa de Lula para motoristas de aplicativo fracassa e libera só 13% da meta

Atualizado em 08/09/2026 às 12:50 schedule 3 min de leitura visibility 3 visualizações share 0 compartilhamentos star star star star star (0)

O programa Move Brasil, criado pelo governo federal em maio para oferecer R$ 30 bilhões em financiamentos a motoristas de aplicativo e taxistas, liberou apenas R$ 4 bilhões até agora, o equivalente a 13,3% do valor previsto. Em dois meses de operação, a iniciativa levou à comercialização de 40 mil veículos, conforme declaração do secretário do Ministério do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços (MDIC) ao jornal Valor Econômico.

O programa, que começou a operar em 19 de junho e deve vigorar até 15 de setembro, enfrenta uma série de obstáculos. O Fundo Garantidor para Investimentos (FGI), mecanismo que reduz o risco dos bancos nas operações, só entrou em funcionamento em 2 de julho, duas semanas após o início do programa. Segundo o próprio governo, o atraso gerou insegurança entre as instituições financeiras e dificultou a operação da linha de crédito.

O programa também sofre com reprovações na análise de crédito e baixo interesse dos bancos privados. A restrição no CPF é apontada como um dos principais entraves: segundo Eduardo Lima de Souza, presidente da Associação de Motoristas de Aplicativo de São Paulo (Amasp), 92% da categoria tem restrições no CPF. “O programa ajuda apenas aqueles motoristas que não precisavam dele. Quem realmente precisa ficou de fora”, afirmou. Para tentar destravar a iniciativa, o governo publicou no dia 18 uma portaria que ampliou o valor permitido de financiamento para até R$ 200 mil e incluiu novos tipos de híbridos entre os modelos elegíveis.

O formato do programa também tem sido criticado por favorecer fabricantes chinesas. O regulamento não exige produção nacional, permitindo o financiamento tanto de veículos importados prontos quanto de modelos montados no Brasil a partir de kits trazidos do exterior, como fazem a BYD e outras montadoras. O professor de Finanças do Ibmec, Samuel Barros, avalia que o programa gerou uma “falsa crença” de que haveria crédito para quem tinha nome sujo. “O governo poderia incentivar a participação dos bancos privados por meio de capital de baixo risco e levar um programa de garantias mais robustas e antecipadas para o agente financiador”, disse.

A baixa adesão repete o desempenho do Voa Brasil, programa lançado em julho de 2024 que oferecia passagens aéreas com desconto para aposentados do INSS. A iniciativa vendeu cerca de 52 mil bilhetes até o início de 2026, menos de 2% da meta de três milhões anunciada pelo governo. Dados do Google Trends mostram que o interesse pelo termo “Move Brasil” disparou na semana de início da operação, em junho, mas caiu de 70% a 80% nas semanas seguintes, indicando perda de interesse relativo dos brasileiros pelo programa.

Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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