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Por que disputa pelas Malvinas voltou ao centro da política na Argentina? A resposta tem a ver com petróleo

Atualizado em 06/09/2026 às 19:45 schedule 3 min de leitura visibility 11 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O governo argentino anunciou no sábado que iniciou um processo de sanções contra 45 pessoas e empresas, sem identificar os alvos, em meio à escalada da disputa pelas Ilhas Malvinas. A medida foi anunciada pelo gabinete do presidente Javier Milei, que na quinta-feira fez um discurso duro sobre o tema, classificando a situação como um "perigo claro e iminente".

No pronunciamento, Milei repetiu o argumento central da posição argentina: as ilhas "pertencem por direito" ao país e foram tomadas à força pelos britânicos em 1833. O governo do Reino Unido, por sua vez, contesta essa versão, apontando que o território estava desabitado quando os britânicos o reocuparam e que o assentamento argentino havia sido expulso dois anos antes por americanos, não por britânicos.

A escalada retórica ocorre em um momento de dupla pressão sobre Milei. A um ano da eleição presidencial, o presidente enfrenta baixa popularidade e uma adversária interna: sua ex-vice-presidente, Victoria Villarruel, que se apresenta como defensora mais firme da soberania nacional e criticou a abordagem diplomática de Milei sobre as Malvinas. Além disso, duas empresas de energia — a israelense Navitas Petroleum e a britânica Rockhopper Exploration — se preparam para iniciar trabalhos no campo petrolífero de Sea Lion, na costa das ilhas, dentro de dois anos. "Não ficaremos de braços cruzados", afirmou Milei, dizendo que a Argentina não pode permitir que as empresas "se apropriem das reservas de petróleo sob o nosso mar".

O tom mais assertivo de Buenos Aires também foi estimulado por declarações do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, que disse estar "reavaliando" a posição americana sobre as ilhas. Tradicionalmente, os EUA reconhecem o domínio britânico sobre o território, embora se declarem neutros. Trump, no entanto, demonstrou irritação com o Reino Unido, afirmando que o governo de Keir Starmer não apoiou os EUA em uma ação contra o Irã. "Você não estava lá para me ajudar", disse Trump, referindo-se à chamada "Relação Especial" entre Londres e Washington.

Milei, aliado próximo de Trump, aposta nessa relação pessoal para fortalecer a reivindicação argentina. A questão central, segundo analistas, é se a força da chamada "Doutrina Don-roe" — a visão de Trump para o Hemisfério Ocidental, que quer líderes com ideias semelhantes no poder nas Américas — superará a aliança histórica entre EUA e Reino Unido. Os habitantes das ilhas, que votaram quase unanimemente em 2013 para permanecer como território ultramarino britânico, argumentam que a distância entre Londres e as Malvinas é ligeiramente menor do que a distância entre Washington e o território americano de Guam.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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