Petrobras salta após 1º turno da eleição: ação ainda tem espaço para subir mais?
As ações da Petrobras (PETR4) dispararam nesta segunda-feira (5), acompanhando o forte rali dos ativos brasileiros após o primeiro turno das eleições, e renovaram suas máximas históricas. PETR4 saltou cerca de 8,19%, a R$ 55,36, enquanto PETR3 subiu 6,68%, a R$ 60,40.
Para o JPMorgan, a alta não significa necessariamente que a tese tenha se esgotado. O banco mantém recomendação equivalente à compra e tem a Petrobras como a ação preferida da analista Milene Carvalho no setor. A casa avalia que o impacto das eleições sobre a companhia deve acontecer principalmente por valuation e fluxo de recursos, e não por uma transformação imediata de seus fundamentos.
Em um cenário político percebido pelo mercado como mais favorável, o primeiro canal de valorização vem do fluxo estrangeiro para ativos brasileiros. Segundo o JPMorgan, a Petrobras representa aproximadamente 14% a 15% de índices como Ibovespa, EWZ e MSCI Brazil, o que torna seu elevado peso uma vantagem em uma primeira onda de entrada de recursos internacionais. O segundo canal, mais duradouro, é a redução do prêmio de risco do Brasil e, consequentemente, do custo de capital percebido para a estatal — argumento relevante porque a queda do custo de capital permite justificar múltiplos maiores para uma empresa cujo valuation historicamente incorpora riscos associados ao controle estatal.
O BTG Pactual aponta que a Petrobras ainda poderia subir cerca de 20% a 25% antes que seu valuation comece a representar uma preocupação mais relevante. A referência são as grandes petroleiras internacionais, que negociam atualmente com retorno ao acionista, incluindo dividendos e recompras, de aproximadamente 8% para os próximos 12 meses. Com Brent a US$ 80 por barril, se a ação estivesse 20% acima do nível usado como referência pelo banco, o BTG estima yield de fluxo de caixa ao acionista de 14,6% e dividend yield de 9,9% nos 12 meses seguintes. Mesmo com valorização de 30%, os números ainda seriam de 13,5% e 9,2%, respectivamente.
O Bradesco BBI elevou o preço-alvo para o fim de 2027 de R$ 52 para R$ 62 e mantém recomendação de compra, citando produção mais alta, margens melhores no refino e redução da taxa de retorno exigida pelos investidores. O novo alvo representaria cerca de 12% de valorização sobre os R$ 55,36 do fechamento de segunda, sem considerar dividendos. O banco também elevou a projeção de produção para os próximos cinco anos e a estimativa para o crack spread médio do diesel em 2027, de US$ 25 para US$ 45 por barril, além de reduzir o dividend yield sustentável exigido de 9% para 8%.
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