Juros mais altos nos EUA não freiam boom da IA e criam dilema para o Fed
O Federal Reserve enfrenta um dilema no combate à inflação elevada nos Estados Unidos. Um dos principais motores do crescimento econômico atual — e das pressões de preços que vieram com ele — parece quase imune aos juros mais altos que o banco central começou a impor à economia.
Empresas que expandem suas capacidades em inteligência artificial não têm sido desencorajadas nem pelos custos de financiamento, que recentemente atingiram os níveis mais altos em décadas, nem pela disparada dos preços da eletricidade, das memórias de alta largura de banda (HBM) e de outros insumos essenciais. Segundo o economista Stijn Van Nieuwerburgh, da Universidade Columbia, os gastos com chips de IA, data centers e sistemas elétricos para alimentá-los superarão US$ 10 trilhões entre 2025 e 2032 — mais de 3,6% do produto econômico anual americano.
“O problema para o Fed é que normalmente existe um mecanismo automático de correção na economia americana: os juros sobem e, em algum momento, os setores mais sensíveis às taxas, liderados pelo mercado imobiliário, desaceleram fortemente”, disse Ajay Rajadhyaksha, presidente global de pesquisa do Barclays. “Mas, se uma parte grande da economia é simplesmente menos sensível aos juros e é justamente ela que está impulsionando o crescimento, então o Fed, infelizmente, precisa atingir mais fortemente os setores que são sensíveis aos juros.”
Para Andrew Sheets, chefe global de pesquisa em renda fixa do Morgan Stanley, o custo do dinheiro tem peso limitado nesse tipo de decisão: se a tecnologia é transformadora e os investimentos prometem retornos de dois dígitos, “não faz tanta diferença se você está tomando dinheiro a 5,5% ou 6%”. As empresas investiram mais de US$ 100 bilhões em computadores e equipamentos relacionados no segundo trimestre, alta de 60% em relação ao mesmo período do ano anterior. A construção de data centers mais que quintuplicou desde o começo de 2022.
O boom, porém, já pressiona preços. Os equipamentos de informática para empresas, incluindo chips, estavam 11,4% mais caros no segundo trimestre na comparação anual, segundo o Bureau of Economic Analysis, e os produtos de informática para consumidores avançaram 8,4% em agosto. A corrida por data centers também pressiona alumínio, cobre e salários de eletricistas, que subiram 7,1% em agosto na comparação anual. Como o Fed dispõe apenas da ferramenta ampla dos juros, setores mais sensíveis — como habitação e indústria automotiva — tendem a arcar com a maior parte do ajuste caso a inflação não recue.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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