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Vitória de Flávio trocaria influência da China por EUA. O que isso significa?

Atualizado em 06/10/2026 às 08:35 schedule 3 min de leitura visibility 3 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A vantagem obtida por Flávio Bolsonaro (PL) no primeiro turno das eleições deste domingo (5) e a maioria conservadora no Congresso reforçam o Brasil como peça central do xadrez geopolítico da América Latina. Segundo think tanks globais que acompanham a política latino-americana, o país caminha para as fileiras das nações sob influência dos Estados Unidos, mais especificamente de Donald Trump, e passa a se afastar da China, ao menos no campo político.

A Chatham House avalia que uma vitória de Flávio criaria outro governo sul-americano amigo da administração Trump, somando-se a uma lista de líderes alinhados à Casa Branca — por razões comerciais ou ideológicas — na Colômbia, Venezuela, Paraguai, Argentina, Chile, Peru, República Dominicana e Equador. Para Christopher Sabatini, diretor do Programa América Latina da entidade, uma presidência de Flávio traria reviravolta em agendas de política externa focadas no PT e desencadearia, "se não uma retirada, ao menos um papel significativamente reduzido" no BRICS, bloco que Trump criticou por "políticas antiamericanas".

Sabatini também citou o risco de afastamento de fóruns como ONU, G20 e COP, onde Brasília reivindicou posição como representante do Sul Global. Ele pondera, no entanto, que não está claro se um "novo governo Bolsonaro" representaria triunfo para a chamada "Doutrina Donroe" de Trump, já que um alinhamento não seria automático, especialmente no comércio. O especialista avalia que um eventual governo do candidato do PL hesitaria em reduzir o comércio com a China, maior parceiro comercial do Brasil desde 2009, mas que Pequim pode tentar reduzir importações brasileiras caso o país se afaste demais.

A Brookings também vê uma vitória de Flávio como grande triunfo para Trump, lembrando que, desde julho de 2025, os EUA impuseram tarifas pesadas sobre exportações brasileiras em retaliação à suposta "caça às bruxas" do Judiciário contra o ex-presidente Bolsonaro. Para o think tank, o Brasil representa "o grande prêmio" na sequência de aliados de direita que chegam ao poder na região, e um retorno de um Bolsonaro ao poder seria decisivo para realinhar nações latino-americanas à agenda "America First", com abordagens militarizadas ao crime e ao tráfico, repressão à migração e acesso preferencial a minerais críticos e energia.

O Council on Foreign Relations (CFR) destaca que Lula e Flávio apresentam visões diferentes para a política externa. Enquanto Lula aproximou o Brasil da China desde 2023 e elevou a parceria bilateral a uma "comunidade com um futuro compartilhado", a agenda de Flávio defende laços mais fortes com os EUA. Segundo o CFR, se ele vencer, o Brasil poderá buscar participar da iniciativa de segurança regional Escudo das Américas, da administração Trump, à qual Lula se recusou a aderir. Os think tanks ressaltam, porém, que o peso da China no comércio e nos investimentos impõe limites substanciais a qualquer esforço de privilegiar Washington às custas de Pequim.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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