Os três pilares que sustentam os 102 anos da Suzano, segundo David Feffer
O presidente do Conselho de Administração da Suzano, David Feffer, atribuiu a longevidade de 102 anos da companhia a uma combinação de execução e planejamento herdada de duas gerações da família. Em palestra durante o G4 Valley, no São Paulo Expo, ele contou que o avô, Leon Feffer, fundador da empresa, era “um cara de execução”, que não esperava condições ideais para agir, enquanto o pai, Max Feffer, tinha perfil mais calmo, voltado ao planejamento e à escolha das melhores opções.
Segundo Feffer, foi a partir dessas duas referências que ele passou a refletir sobre como unir a capacidade de agir à necessidade de pensar estrategicamente — uma combinação que definiu como mistura de psicologia e matemática. Ele chamou de ambidestria a habilidade de conciliar características aparentemente distintas, como planejamento e execução, curiosidade e reflexão, e afirmou que essa capacidade é cada vez mais exigida de líderes que precisam administrar os resultados do presente sem perder de vista as mudanças do futuro.
A estratégia da companhia foi organizada em três pilares. O primeiro é a profissionalização da gestão, com a possibilidade de que os principais cargos sejam ocupados por executivos de fora da família controladora, priorizando a capacidade profissional e não o sobrenome. O segundo amplia o compromisso da empresa para além dos acionistas, incorporando funcionários, clientes, fornecedores, comunidades e demais públicos afetados pelas atividades — “só é bom para nós se for bom para o mundo”, resumiu. O terceiro pilar é assegurar o comprometimento dos acionistas controladores com o negócio no longo prazo.
Feffer relatou que a passagem de comando não foi simples. Apesar de ter sido preparado por anos, sentiu medo quando o momento chegou, e as mortes seguidas do avô e do pai, em 1999 e 2001, tornaram o processo mais difícil. “Quando o momento chegou eu estava sozinho”, afirmou, ao lembrar que precisou lidar ao mesmo tempo com a perda familiar e com as decisões sobre o futuro de uma empresa que, no último ano, faturou R$ 50 bilhões. Foi nesse período que ele e os irmãos definiram que o próximo legado da família deveria estar associado à sustentabilidade e à construção de uma empresa capaz de atravessar novas gerações.
O executivo também destacou investimentos em tecnologia e sustentabilidade. Segundo ele, a Suzano planta cerca de 1,2 milhão de mudas de árvores por dia e tem saldo líquido de remoção de carbono equivalente de mais de 13 milhões de toneladas por ano. Feffer defendeu o papel da biotecnologia e da inteligência artificial no desenvolvimento de árvores mais resistentes e produtivas e de processos mais sustentáveis, e alertou que o maior risco para o empreendedor é o crescimento gerar sensação de autossuficiência. “O sucesso pode deixar a gente cego e surdo”, disse.
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