OAB demite advogada que publicou vídeo prometendo “dificultar a vida de petistas” após o resultado das urnas
A advogada Julia Gobbo Amorim foi demitida da Ordem dos Advogados do Brasil no Espírito Santo (OAB-ES) após publicar um vídeo em que declara ter preconceito contra eleitores do Partido dos Trabalhadores (PT) e promete dificultar a vida de pessoas identificadas com a legenda. A gravação foi feita nas dependências da própria instituição e divulgada na terça-feira (27), provocando forte repercussão nas redes sociais. O desligamento foi confirmado pela OAB-ES na quarta-feira (28).
No vídeo, a advogada afirma que há muitos petistas trabalhando na instituição e faz acusações generalizadas contra essas pessoas, associando-as à falta de disposição para o trabalho. Em seguida, declara que pretende criar dificuldades para quem tem esse posicionamento político. Na legenda da publicação, também utilizou uma expressão considerada ofensiva. O conteúdo havia sido compartilhado inicialmente com uma lista restrita de seguidores do Instagram, mas acabou circulando publicamente.
Em nota oficial, a OAB-ES repudiou as declarações e reafirmou seu compromisso com a democracia, a pluralidade de ideias e a dignidade humana. A entidade destacou que, embora respeite a liberdade de expressão de seus colaboradores, não admite manifestações discriminatórias ou ataques motivados por convicções políticas. O ex-presidente da seccional, José Carlos Rizk Filho, também criticou publicamente a conduta da advogada e defendeu que a instituição permaneça aberta a profissionais de diferentes orientações políticas.
Após a repercussão, Julia desativou seu perfil nas redes sociais. Conforme as últimas atualizações consultadas, ela não havia apresentado manifestação pública. A OAB-ES também não esclareceu se outras providências administrativas ou judiciais seriam adotadas.
O episódio ocorre em meio a denúncias de discriminação e retaliação política no ambiente profissional após o segundo turno das eleições presidenciais, reacendendo o debate sobre os limites da liberdade de expressão e a proteção dos trabalhadores contra perseguições por suas preferências partidárias.
Esta matéria foi publicada primeiro em Pragmatismo Político e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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