Defesa de Daniel Vorcaro apresenta laudo técnico que pode anular mensagens contra Moraes
A defesa do ex-banqueiro Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, entregou ao Supremo Tribunal Federal (STF) nesta quinta-feira (29) um laudo pericial que questiona a integridade das provas obtidas em seu iPhone. Segundo o documento, arquivos teriam sido criados e alterados enquanto o aparelho estava sob custódia da Polícia Federal, o que pode beneficiar o ministro Alexandre de Moraes ao invalidar registros de mensagens enviadas a ele.
De acordo com o perito da defesa, o iPhone 17 Pro foi apreendido na noite de 17 de novembro de 2025, mas centenas de novos arquivos surgiram no aparelho a partir do dia seguinte. O laudo aponta a criação de 436 novos itens, entre eles 94 imagens em formato específico da Apple, além da alteração de metadados de outros 657 arquivos. O perito não teve acesso aos dados brutos para confirmar intervenção humana direta, mas sustenta que essas mudanças não podem ser ignoradas nem classificadas como automáticas sem justificativa técnica documentada pela Polícia Federal.
O laudo ganha peso em meio à divulgação de um relatório policial que indicava o envio de 52 mensagens de Vorcaro para Moraes, com uso de técnicas para esconder rastros, como imagens de visualização única no WhatsApp. O ministro negou ter recebido tais comunicações e criticou a investigação. Caso a perícia da defesa comprove manipulação do celular após a apreensão, as mensagens encontradas perderiam o valor jurídico e sairiam do processo como principal prova que ligaria o ex-banqueiro ao ministro.
Os advogados Sérgio Leonardo e Engels Muniz recorrem ao princípio do "fruto da árvore envenenada", segundo o qual provas derivadas de uma ilegalidade na origem não podem ser usadas. Com esse argumento, a defesa tenta anular toda a Operação Compliance Zero e cita que o mesmo princípio foi aplicado em casos famosos, como na anulação de condenações da Operação Lava Jato.
Ao ministro Edson Fachin, atual presidente do STF, os advogados pediram acesso imediato aos dados brutos extraídos do iPhone, alegando que os relatórios sintetizados pela PF podem ser editados sem deixar alertas de integridade. A defesa também reivindica a chamada paridade de armas — o direito de dispor das mesmas ferramentas de análise que a acusação — e pede a soltura de Vorcaro, sustentando que não é justo mantê-lo preso preventivamente enquanto pairam dúvidas graves sobre a principal evidência das acusações.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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