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O que fazer com seu dinheiro a uma semana da eleição? Especialistas respondem

Atualizado em 26/09/2026 às 10:05 schedule 7 min de leitura visibility 20 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A cerca de uma semana do primeiro turno, a disputa entre o presidente Lula (PT) e o senador Flávio Bolsonaro (PL) segue sem favorito claro para o mercado. Diante de um cenário tratado como binário, a orientação mais consensual entre especialistas é não transformar a carteira em aposta eleitoral. A recomendação é manter a renda fixa como base, dosar a exposição à Bolsa e aos prefixados, ter parte do patrimônio em dólar como proteção e fazer novos aportes de forma gradual.

Um levantamento do UBS com anos eleitorais anteriores não encontrou aumento consistente da volatilidade da Bolsa, do câmbio e da renda fixa nesses períodos. Para especialistas, o que muda é a intensidade das reações, já que cada nova pesquisa altera as apostas do mercado sobre a política fiscal dos próximos anos. A Tivio Capital espera oscilação relevante no dia seguinte à votação, qualquer que seja o vencedor, enquanto o mercado aguarda sinais concretos de ajuste nas contas públicas. "A única coisa que você precisa evitar agora é fazer grandes apostas", resume André Leite, CIO da TAG Investimentos.

Para quem tem dinheiro para aplicar, a resposta não é nem tudo agora nem tudo depois. Pedro Carneiro, gestor da Asset1, sugere dividir a entrada em três aportes até novembro, estratégia que, segundo a Franklin Templeton, vem sendo adotada pelo mercado. Quem já investe em ações deve evitar grandes movimentações e esperar o resultado para rebalancear a carteira, avalia Leonardo Mendes, da Manchester Investimentos. Já quem ainda não está na Bolsa pode começar a montar posição, desde que com horizonte de pelo menos cinco anos.

Na renda fixa, o pós-fixado, grupo que inclui o Tesouro Selic e os CDBs atrelados ao CDI, segue como porto seguro enquanto a eleição não se define. "O carrego do pós-fixado é a melhor poltrona de espera", diz o planejador financeiro Jeff Patzlaff. Ao lado dele, o Tesouro IPCA+ aparece como a principal recomendação do mês. O UBS classifica os títulos atrelados à inflação como muito atrativos e peça central das carteiras de longo prazo, e o gestor Luis Stuhlberger, do Verde, os prefere aos prefixados. A orientação mais frequente é evitar os vencimentos mais longos, que oscilam mais.

Os prefixados ganharam espaço com o ciclo de cortes da Selic, mas em doses menores. Um estudo da XP mostra que, historicamente, esses títulos batem o CDI na maior parte das vezes, mas por margem pequena. O principal cuidado vale para os dois tipos de título: quem precisar vender antes do vencimento fica sujeito à marcação a mercado, e uma alta inesperada dos juros pode gerar perdas de alguns pontos percentuais em papéis de cinco anos. Por isso, especialistas recomendam aplicar em prefixados e IPCA+ apenas o dinheiro que pode ficar parado até o vencimento.

Três especialistas ouvidos pelo InfoMoney no início do mês sugeriram divisões diferentes para a renda fixa, conforme o perfil do investidor. A mais conservadora, de Patzlaff, prevê 70% em Tesouro Selic, 20% em IPCA+ e 10% em prefixados. A equilibrada, de Mendes, da Manchester, indica 30% em pós-fixados, 40% em IPCA+ e 30% em prefixados, metade com vencimento de até dois anos. Já a mais exposta a juros, de Robson Casagrande, da GT Capital, sugere 25% em Tesouro Selic, 45% em IPCA+ com vencimentos entre 2029 e 2032 e 30% em prefixados entre 2029 e 2031, comprados em duas ou três etapas.

No crédito privado, a palavra de ordem é seletividade. Os FIDCs atraíram tantos investidores que as taxas caíram, e algumas cotas seniores já pagam em torno de CDI+2%, patamar que gestores consideram baixo diante do risco de inadimplência. "A taxa importa, mas a estrutura que protege essa taxa importa mais", afirma Leandro Turaça, sócio-gestor da Ouro Preto Investimentos. Antes de investir, vale entender quem origina o crédito, quão pulverizada é a carteira e qual é o histórico de perdas do fundo.

Há consenso de que as ações brasileiras estão baratas, negociando com desconto em relação ao próprio histórico e a pares da América Latina. Bancos estrangeiros como o JPMorgan veem espaço relevante de alta caso o cenário fiscal melhore. Ainda assim, a recomendação é não exagerar na dose. A XP está abaixo do neutro para ações brasileiras e sugere uma fatia pequena da carteira em Bolsa para o perfil moderado, sem sair do mercado. Na escolha dos papéis, a preferência recai sobre as blue chips e empresas com caixa sólido e boas pagadoras de dividendos, em setores como energia, saneamento, commodities e bancos.

Com a disputa indefinida, bancos e casas de análise montaram carteiras para cada resultado. Numa vitória de Lula, vista como continuidade com juros altos por mais tempo, a preferência é por exportadoras e empresas defensivas, como Suzano (SUZB3), WEG (WEGE3), Embraer (EMBJ3) e seguradoras. Numa vitória de Flávio, associada pelo mercado a um ajuste fiscal mais rápido, ganham destaque empresas ligadas à economia doméstica e sensíveis aos juros, como Cyrela (CYRE3), B3 (B3SA3) e XP (XPBR31). O setor financeiro aparece nos dois cenários, e o BTG Pactual (BPAC11) figura em carteiras para ambos os resultados.

Quem busca proteção em ações de dividendos precisa de cautela. Estudo da XP mostra que essas ações não sobem em momentos de juros altos. A vantagem aparece apenas porque elas caem menos que as empresas que distribuem pouco. No caso das estatais, especialistas lembram que o dividend yield passado, isoladamente, é pouco confiável, porque pode refletir pagamentos extraordinários ou uma queda forte no preço da ação.

A alta dos juros nos Estados Unidos deixou a renda fixa americana mais atrativa, mas não o suficiente para bater o CDI. Pelas contas de Ricardo Trevisan, CEO da Gravus Capital, com o dólar estável o título de 10 anos do Tesouro americano rende bem menos que a renda fixa brasileira depois de impostos e custos de câmbio, e a moeda precisaria subir perto de 10% em 12 meses para empatar. Por isso, dolarizar faz mais sentido como proteção contra um cenário ruim no Brasil do que como busca de rentabilidade. "O investidor não se protege do cenário médio, se protege do cenário ruim", diz Trevisan, que sugere entre 15% e 20% do patrimônio em dólar para o perfil moderado. A TAG recomenda ao menos 30% no exterior, Stuhlberger fala em 30% a 50%, e o UBS coloca a diversificação internacional no mesmo patamar de atratividade do IPCA+.

Entre os movimentos que especialistas desaconselham neste momento estão investir em fundos multimercados, que receberam a pior recomendação do UBS para o período; vender títulos IPCA+ para dolarizar só por causa da eleição; comprar produtos de investimento no exterior com proteção cambial; escolher FIDCs apenas pela taxa; escolher ações só pelo dividend yield passado; e concentrar a carteira em um único cenário eleitoral.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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