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O país que pede reparações dos EUA e da Europa pela escravidão

Atualizado em 23/08/2026 às 10:20 schedule 3 min de leitura visibility 21 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Gana tornou-se a principal voz africana na exigência de que nações e instituições ocidentais que lucraram com a escravidão paguem reparações. O país apresentou à Organização das Nações Unidas (ONU) a resolução que, em março, reconheceu a escravidão como "o maior crime contra a humanidade". Os Estados Unidos e a Argentina votaram contra o texto, e todas as nações europeias se abstiveram.

Em junho, Gana sediou uma cúpula sobre reparações em Accra, com delegados de cerca de 80 países, que concluíram que a compensação é uma dívida de longa data. O ministro dos Negócios Estrangeiros de Gana, Samuel Okuzeto Ablakwa, afirmou à BBC que o país, por ter sido palco das atrocidades, não pode permanecer em silêncio. "Gana sempre foi um líder pan-africano. Somos o primeiro país a conquistar a independência na África subsaariana", declarou. A União Africana atribuiu a Gana o papel de "campeão da justiça restaurativa".

Entre 10% e 15% dos cerca de 12 milhões de africanos removidos à força de suas casas eram originários do que hoje é Gana. O ministro defende que as reparações financiem bolsas de estudo, capital de risco para jovens empreendedores e pesquisas sobre problemas de saúde persistentes. Uma das demandas da cúpula abordou ainda o alívio e o cancelamento da dívida dos países africanos.

A Igreja Anglicana está entre as instituições cobradas. No século XVIII, seu braço missionário administrava plantações e possuía centenas de escravizados. Em julho, a arcebispa de Canterbury, Sarah Mullally, visitou Gana e rezou no Castelo de Cape Corso, antiga prisão de escravizados. "Senti a magnitude da maldade que o tráfico transatlântico de escravizados representava", disse. A Igreja criou um fundo de impacto social de US$ 135 milhões para beneficiar comunidades afetadas, mas a medida enfrentou resistência interna.

O debate sobre a cumplicidade de africanos na captura e venda de compatriotas também marca a discussão. Ablakwa rejeita a tese, argumentando que a estrutura da escravidão foi concebida pelas potências ocidentais. Já o rei Tackie Teiko Tsuru II, líder do povo Ga, pediu desculpas publicamente pelo envolvimento de seus ancestrais no comércio de escravizados. "Isso afetou vidas e sociedades até hoje", afirmou.

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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