Novo Desenrola: governo Lula planeja R$ 15 bi para comprar dívidas dos bancos e aliviar bolso das famílias
O presidente Luiz Inácio Lula da Silva anunciou nesta sexta-feira (25/9) uma nova edição do programa Desenrola, voltada a reduzir o endividamento das famílias. A medida foi divulgada junto com a proibição das plataformas de apostas online, em um pacote visto por analistas como esforço do petista para atrair votos às vésperas de uma eleição disputada contra o senador Flávio Bolsonaro (PL).
Batizado de Desenrola 3.0, o programa terá formato diferente das edições anteriores, nas quais os beneficiários negociavam diretamente com os bancos. Desta vez, o governo vai negociar com as instituições financeiras a compra das dívidas da população, com o objetivo de adquirir essas carteiras com grandes descontos, pagando uma parcela pequena do valor, e assim liberar o orçamento das famílias endividadas.
"É um Desenrola melhor do que os outros Desenrola. É importante notar isso porque, no outro Desenrola, as pessoas tinham que individualmente procurar o banco [para negociar]. Agora, é o governo que vai comprar dívida e vai acertar a vida das pessoas", afirmou Lula.
Segundo o ministro do Planejamento e Orçamento, Bruno Moretti, o leilão para compra das dívidas será realizado a partir de novembro, após as eleições de outubro. Durante o anúncio, o governo não explicou o que acontecerá com a dívida comprada — se será cobrada dos devedores ou perdoada. Um cronograma divulgado depois indica que o processo de aquisição só deve ser concluído em fevereiro, quando o valor restante da dívida poderá ser quitado à vista ou parcelado.
A expectativa do governo é alcançar até 15 milhões de pessoas, com foco em famílias com dívidas em atraso de dois a quatro anos e meio — após cinco anos, esses débitos prescrevem. Entrarão no programa dívidas de cartão de crédito, nas modalidades parcelada e rotativa, e empréstimos no crédito pessoal, exceto os consignados com desconto em folha.
De acordo com Moretti, a carteira de dívidas alcançadas soma R$ 300 bilhões, e o governo espera retirar do mercado metade disso. A projeção é comprar as dívidas pagando apenas 10% do valor ou menos, o que permitiria adquirir R$ 150 bilhões em dívidas por cerca de R$ 15 bilhões ou menos. "Hoje faz-se mais ou menos R$ 50 bilhões por ano dessas operações de compra de dívida. Então, você está multiplicando isso por três, quer dizer, procurando alcançar R$ 150 bilhões de dívidas e dando descontos de 90% nessas dívidas, a depender dos leilões que serão realizados. E, é claro, esses descontos serão repassados diretamente às famílias, àqueles que têm a dívida", disse o ministro.
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