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“Negócio extremamente lucrativo”: guerra abre espaço para volta dos piratas somalis

Atualizado em 27/08/2026 às 09:20 schedule 3 min de leitura visibility 22 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Piratas da Somália voltam a atacar navios comerciais com redirecionamento de forças navais para o Oriente Médio

Piratas da Somália estão aproveitando o vácuo de segurança marítima criado pela guerra com o Irã para retomar ataques contra navios comerciais. Segundo reportagem da Politico, o movimento ocorre à medida que recursos navais internacionais foram redirecionados para o Oriente Médio, enquanto a indústria global de navegação enfrenta ameaças próximas ao Estreito de Ormuz e ao estreito de Bab el-Mandeb, além de preços mais altos de energia e redução no tráfego em rotas marítimas importantes.

Até 22 de agosto, seis embarcações comerciais haviam sido capturadas desde abril no Golfo de Áden e no oeste do Oceano Índico. O número supera o registrado anteriormente pela publicação, que relatou o sequestro de ao menos três navios-tanque transportando petróleo e fertilizantes desde abril. Em julho, um navio carregado com produtos químicos também foi sequestrado na costa do Iêmen. Os ataques mais recentes ocorreram enquanto Estados Unidos e outros países concentravam forças navais no Golfo Pérsico, no Estreito de Ormuz e no Mar Vermelho.

Brett Erickson, sócio-diretor da consultoria Obsidian Risk Advisors, afirmou à Politico que os piratas estão se beneficiando do redirecionamento dos recursos militares americanos e os descreveu como “oportunistas em busca de lucro”. “Este é obviamente um negócio extremamente lucrativo para eles”, disse. “E, neste momento, enfrentam um risco muito menor de reação dos EUA porque tantos recursos estão comprometidos com o Oriente Médio de forma geral.” Erickson alertou ainda que a pirataria surge ao mesmo tempo que outras ameaças ao transporte marítimo, criando “múltiplos vetores” de risco que elevam custos e obrigam empresas a rever operações.

A guerra com o Irã começou em fevereiro, quando ataques aéreos dos Estados Unidos desencadearam um conflito centrado em parte do Estreito de Ormuz, passagem por onde normalmente circula parcela significativa do comércio marítimo global de energia. Com base em relatórios da agência britânica United Kingdom Maritime Trade Operations (UKMTO), foram registrados 41 incidentes recentes nas regiões de Bab el-Mandeb e Ormuz até 25 de agosto. Segundo dados da Reuters, menos de 20 navios de commodities atravessaram o Estreito de Ormuz no fim de semana encerrado em 24 de agosto.

Apesar da alta recente, a situação ainda está longe do auge da crise da pirataria somali. Entre 2005 e 2012, piratas da Somália realizaram mais de 1.000 ataques, arrecadaram mais de US$ 400 milhões em resgates e chegaram a gerar custos estimados em US$ 18 bilhões por ano para a economia global. Patrulhas internacionais envolvendo Otan, União Europeia e a força multinacional Combined Maritime Forces conseguiram reduzir significativamente a ameaça. “A ameaça representada pelos piratas somalis, sozinha, talvez não seja fatal”, disse Erickson. “Mas, combinada com todos os outros fatores, suas ações estão fazendo uma diferença significativa.”

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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