Ministros do STF suspendem decisão sobre investigação contra Moraes no plenário
O Supremo Tribunal Federal interrompeu, nesta terça-feira (15), o julgamento que definiria a abertura de uma investigação contra o ministro Alexandre de Moraes. A sessão, realizada em Brasília, foi marcada por debates técnicos e embates diretos entre os magistrados. O desfecho foi adiado após o ministro Flávio Dino solicitar mais tempo para analisar o caso, suspendendo o processo por até 90 dias.
O debate começou quando Dino questionou a decisão do presidente da Corte, Edson Fachin, de assumir a relatoria do caso. Dino argumentou que retirar um processo das mãos do relator original, o ministro André Mendonça, configuraria uma "avocatória", prática que considera autoritária e proibida pela Constituição entre magistrados de mesma hierarquia. Fachin rebateu a crítica, esclarecendo que não tomou o processo para si por vontade própria, mas que os autos foram encaminhados à presidência pelo próprio Mendonça para que o plenário resolvesse o impasse.
Em vez de focar diretamente na investigação contra Moraes, o tribunal gastou horas debatendo questões preliminares. Os ministros discutiram a possibilidade de reunir o caso de Moraes com um procedimento que envolve André Mendonça, a atuação da Polícia Federal e a situação de outros magistrados citados em materiais apreendidos no chamado caso Master. Gilmar Mendes propôs que todos os envolvidos fossem identificados e ouvidos antes de uma decisão final, o que desviou o foco da acusação inicial contra Moraes e ampliou o escopo da discussão para toda a Corte.
O clima esquentou quando Gilmar Mendes acusou André Mendonça de conduzir o caso com viés político-eleitoral, mencionando a escolha de datas próximas ao 7 de Setembro. Mendonça reagiu chamando as falas de levianas e exigiu respeito, gerando uma troca de ofensas ríspidas. Gilmar chegou a dizer que quem não se dá ao respeito não merece respeito e ironizou a indignação do colega. Alexandre de Moraes também atacou Mendonça, acusando-o de tentar forçar a Polícia Federal a incluí-lo em uma delação premiada e de estar a serviço de grupos que tentaram um golpe de Estado.
A interrupção ocorreu devido a um pedido de vista feito por Flávio Dino. No Judiciário, o pedido de vista acontece quando um juiz afirma que precisa de mais tempo para estudar o processo antes de dar seu voto definitivo. No caso do STF, as regras atuais estabelecem um prazo de até 90 dias corridos para que os autos sejam devolvidos ao plenário. Com a suspensão, o julgamento sobre a abertura de investigação contra Alexandre de Moraes fica paralisado, sem uma data definida para ser retomado, embora o ministro possa liberar o caso para votação antes do prazo final.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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