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Mercado considera legítimo rever isenção de LCI e LCA, mas teme IOF por decreto

Atualizado em 29/10/2026 às 07:35 schedule 3 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A possibilidade de a equipe econômica tributar com IOF papéis hoje isentos de Imposto de Renda para pessoa física, como LCI, LCA, CRI, CRA e debêntures incentivadas, gerou reação quase consensual entre profissionais do mercado. A avaliação predominante é que revisar um benefício que cresceu muito é legítimo, mas o instrumento escolhido e a falta de regras claras representam risco maior do que o próprio imposto.

Segundo a informação publicada pelo jornal O Globo, o caminho em estudo é usar um decreto, sem passar pelo Congresso, para tributar esses papéis, que hoje têm alíquota zero de IOF. Na equipe econômica, a leitura é que os títulos ganharam espaço excessivo na disputa com os títulos públicos, sobretudo as NTN-Bs, e a renúncia associada a eles é estimada em cerca de R$ 33 bilhões por ano. O secretário do Tesouro, Daniel Leal, já havia afirmado em julho que o tema teria de ser enfrentado pelo governo eleito, citando o IOF entre as alternativas.

Alexandre Muller, CIO da Leto Capital, defende que o assunto deixe de ser tratado como tabu e sugere focalizar o programa e medir melhor quem se beneficia dele. Ele lembra que pouco mais da metade dos cerca de R$ 2,3 trilhões em títulos incentivados são LCIs e LCAs, cujo destino final dos recursos não é transparente. Rodrigo Sgavioli, da XP Investimentos, também vê espaço para revisão, pois as isenções distorcem decisões de portfólio. David Camacho, da HeadInvest, considera legítimo discutir o custo do incentivo, mas critica o uso do IOF para arrecadar. "Usar para arrecadar sobre títulos que a lei isenta de IR é substituir por decreto uma decisão que o Congresso tomou no ano passado", afirma.

O tema resgata a tentativa de 2025, quando a Medida Provisória 1.303 previa IR de 5% sobre novas emissões desses títulos. O relator poupou primeiro CRIs, CRAs e incentivadas e depois as letras bancárias, mas a Câmara retirou o texto de pauta em outubro e a MP perdeu a validade. Para a RB Asset, o mercado precisa de regras claras e coerentes, que não desloquem capital entre instrumentos por razões meramente tributárias, e a isenção das posições existentes deveria ser preservada.

Gestores apontam que a mudança encareceria o financiamento. Numa simulação de Camacho, com o CDI perto de 13,65%, uma alíquota hipotética de 5% sobre o rendimento tiraria cerca de 0,7 ponto percentual ao ano do investidor pessoa física. Renato Otranto, do Daycoval, avalia que imobiliário e agronegócio dependem de mais recursos do que a poupança e as linhas oficiais oferecem, o que poderia elevar o preço de imóveis novos. As gestoras divergem sobre o curto prazo: enquanto Camacho vê risco de saques em fundos de infraestrutura, Thais Prado, do ASA, enxerga possível antecipação de compras por investidores que busquem garantir posições em estoque.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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