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Magnifica humanitas: "É urgente colocar o ser humano no centro, e não a máquina"

Atualizado em 20/08/2026 às 09:05 schedule 4 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos star star star star star (0)

Jesuíta analisa capítulo da encíclica e alerta: “É urgente colocar o ser humano no centro, e não a máquina”

Em entrevista dedicada ao Capítulo 4 da Encíclica Magnifica Humanitas, do Papa Leão XIV, o padre Boniface Mbouzao, jesuíta e doutor em engenharia da computação, analisou os desafios da inteligência artificial (IA) sob a perspectiva da verdade como bem comum, da dignidade do trabalho e da liberdade humana. Para o acadêmico, a África e o mundo devem evitar se tornar “objetos da tecnologia” e, em vez disso, investir em formação e regulamentação para se tornarem “sujeitos” dela.

Um dos principais pontos levantados pelo sacerdote diz respeito à relação com a verdade no ambiente digital. Segundo ele, no contexto atual, “a verdade tende a ser definida como a informação mais amplamente compartilhada”, o que pode substituir a busca por fatos e objetividade pela visibilidade e popularidade. A desinformação, a manipulação digital e a influência sobre as percepções do mundo e da humanidade são, portanto, desafios significativos. O padre apela especialmente aos jovens para que sejam vigilantes: “Devemos ser mais vigilantes, não acreditar em tudo o que encontramos e depositar mais confiança na mídia e nos especialistas da área para nos fornecer informações precisas”.

A transformação do mundo do trabalho pela IA também é apontada como um desafio fundamental, já que muitos empregos podem ser transformados ou desaparecer, levantando a questão do respeito à dignidade dos trabalhadores. Para o especialista, a questão central é: “Como podemos garantir que a IA permaneça a serviço da humanidade e do bem comum?”. A resposta, defende, reside na formação e no estabelecimento de regras que norteiem a pesquisa. “No campo da inteligência artificial, a pesquisa deve agora ser guiada por um certo padrão ético”, afirma, apelando aos governos para que implementem legislação destinada a proteger os indivíduos. Ele cita a encíclica para lembrar que “a justiça também vem pelo acesso aos benefícios da inovação: cuidado, conhecimento, ferramentas, oportunidades”, mas enfatiza que “o ser humano deve permanecer o objetivo, e não simplesmente um meio para atingir esse fim”.

No contexto africano, o desafio é ainda mais significativo, visto que as capacidades tecnológicas e de pesquisa em IA permanecem limitadas em diversas regiões. O padre menciona dificuldades relacionadas ao acesso à eletricidade e a uma conexão permanente, além da falta de legislação para regulamentar o desenvolvimento da tecnologia. Ele convoca os países africanos a começarem a pensar agora em uma estrutura que coloque “os seres humanos no centro, não as máquinas ou a produção”. O risco, alerta, é o surgimento de “novas formas de subordinação global, especialmente na África”, contrárias ao princípio da dignidade humana. A dependência tecnológica excessiva pode levar a “novas formas de escravidão”, transformando até mesmo os africanos em “objetos da tecnologia em vez de seus sujeitos”.

Para evitar essa dependência, o jesuíta coloca a educação no centro da solução. “Precisamos preparar nossos jovens para enfrentar esses desafios e enxergar a tecnologia como um meio, não um fim; como uma ferramenta, não um fim em si mesma”, afirma. O padre propõe a introdução da inteligência artificial nos currículos escolares para que os jovens possam compreender seu funcionamento e suas limitações. Essa formação deve preservar o pensamento crítico, a originalidade e a criatividade, incentivando os jovens a manter “maior liberdade e distanciamento” diante dos algoritmos. Para ele, o perigo seria reduzir a realidade ao que os algoritmos podem mostrar, considerando “uma parte da verdade como ‘a verdade’”. Por meio dessa leitura do capítulo 4 da Magnifica Humanitas, o padre argumenta que o desafio é preservar a humanidade, não rejeitar o progresso tecnológico, educando, protegendo e libertando o indivíduo para que a IA permaneça um instrumento a serviço do bem comum.

Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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