Leão na França. Parolin: que a Europa proteja a vida e relance o multilateralismo
O cardeal Pietro Parolin, Secretário de Estado do Vaticano, afirmou que a próxima viagem apostólica do Papa Leão XIV à França deve impulsionar um “grande canteiro de obras aberto de pensamento e ação”, no qual crentes e não crentes possam caminhar e trabalhar juntos. A declaração foi feita em entrevista sobre a quinta viagem internacional do pontífice, que também passará pela UNESCO.
Segundo Parolin, o lema escolhido para a viagem — “Para que o mundo tenha vida” — resume três aspectos centrais. O primeiro é o valor da vida humana, que deve ser acolhida, amada e cuidada desde a concepção até a morte natural, em um contexto em que, segundo ele, muitos países tendem a introduzir práticas e leis que não respeitam esse valor. Diante da queda da natalidade na Europa, a viagem é vista como oportunidade para redescobrir a vida como dom a ser recebido com gratidão e responsabilidade.
O segundo aspecto é o da vida espiritual. O cardeal destacou que a França se caracteriza hoje por um grande número de catecúmenos jovens e adultos, o que evidencia a sede de espiritualidade no mundo atual. Por trás do lema da viagem, disse, pode-se ler “para que o mundo creia”, pois não há vida do corpo sem vida da alma. O terceiro ponto é a vitalidade criativa da pessoa humana, exemplificada pelo trabalho de reconstrução da catedral de Notre-Dame, em um mundo cada vez mais tecnológico e artificial.
Ao comentar a passagem do Papa pela UNESCO, Parolin relacionou cultura e educação à construção da paz. Citando a encíclica Magnifica humanitas, lembrou a proposta de transição da “cultura do poder” para uma “cultura da negociação”, na qual o diálogo e as relações diplomáticas se tornem o caminho habitual para lidar com conflitos. Para ele, trata-se de uma mudança cultural antes mesmo de política, que exige educar as novas gerações a ver o confronto não como fraqueza, mas como responsabilidade.
O Secretário de Estado observou que a política tem responsabilidade insubstituível na construção de instituições justas e na busca de soluções para conflitos, mas corre o risco de agir quando as divisões já estão profundas. Cultura e educação, afirmou, podem atuar antes, formando pessoas capazes de reconhecer no outro um irmão e não um inimigo. Nesse sentido, disse que a Igreja é chamada a contribuir para formar consciências à luz do Evangelho, construir pontes e dar voz a quem corre o risco de não tê-la.
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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