Le Pen lança campanha presidencial na França e promete restaurar a ordem após onda de violência
A líder da direita francesa Marine Le Pen lançou oficialmente neste domingo (25) sua campanha para a Presidência da França em 2027, durante evento do partido Reagrupamento Nacional (RN) em Orléans, diante de cerca de 8,5 mil apoiadores. A candidata prometeu restaurar a ordem pública e endurecer o combate à criminalidade e à imigração ilegal, em meio à onda de protestos violentos que atingiu diversas cidades francesas nas últimas semanas.
Le Pen citou os episódios de violência registrados durante as manifestações para criticar o governo do presidente Emmanuel Macron, que, segundo ela, perdeu a capacidade de garantir a segurança da população. "Vamos restabelecer o Estado de Direito", declarou a candidata, que disputa a Presidência pela quarta vez. Ela também questionou a atuação das autoridades diante dos saques, incêndios e confrontos registrados durante os protestos. "Quem pode afirmar que existe Estado de Direito quando hordas vêm saquear e incendiar nossos edifícios?", perguntou.
A referência foi aos distúrbios ocorridos nos dias 17 e 24 deste mês, quando manifestações violentas terminaram em confrontos com policiais, depredações e incêndios. No sábado (24), mais de 400 mil pessoas participaram de protestos em diferentes cidades francesas, segundo as autoridades, e a polícia registrou 1.314 prisões. Diante desse cenário, Le Pen prometeu adotar uma política de tolerância zero contra criminosos e responsabilizar financeiramente os envolvidos em depredações. "Se tiverem que pagar por toda a vida, pagarão por toda a vida", afirmou a candidata, sob aplausos.
A imigração também ocupou parte importante do discurso. Le Pen prometeu reforçar o controle sobre a entrada de estrangeiros, expulsar criminosos estrangeiros e recuperar a autonomia francesa sobre as políticas migratórias atualmente submetidas a regras da União Europeia. "Restabeleceremos nossas fronteiras e até mesmo uma dupla fronteira, francesa e europeia", declarou. A candidata defendeu ainda mudanças nas regras de concessão da cidadania, afirmando que a nacionalidade deve voltar a ser um privilégio herdado ou conquistado.
O presidente do RN, Jordan Bardella, também discursou e acusou o partido de esquerda radical França Insubmissa (LFI), liderado por Jean-Luc Mélenchon, de alimentar os confrontos nas ruas. Segundo Bardella, a esquerda radical está "atiçando as chamas da insurreição" e não tem condições de assumir o comando da França. Ele prometeu endurecer o combate às organizações criminosas e reduzir para 16 anos a idade de responsabilização penal. Le Pen indicou que pretende nomear Bardella primeiro-ministro caso vença a eleição, marcada para abril e maio de 2027, pleito que encerrará os dois mandatos consecutivos de Macron, impedido pela Constituição de disputar nova reeleição imediata.
O lançamento da campanha ocorreu sob forte esquema de segurança, com cerca de 3 mil integrantes das forças policiais e dos serviços de emergência mobilizados em Orléans durante o fim de semana. No sábado, milhares de manifestantes ligados a sindicatos e movimentos de esquerda protestaram contra a realização do congresso do RN. Apesar das críticas ao governo, Le Pen procurou apresentar sua candidatura como o início de uma nova etapa para o país. "Não estamos propondo ao país um retorno ao passado, mas o início de uma nova era", afirmou. A candidata também prometeu reduzir impostos, aliviar o custo da energia para as famílias e fortalecer a indústria francesa.
Esta matéria foi publicada primeiro em Brasil · Gazeta do Povo e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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