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Juristas veem ‘promiscuidade’ em relação de Moraes com Vorcaro e defendem apuração

Atualizado em 01/09/2026 às 22:20 schedule 3 min de leitura visibility 12 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Juristas ouvidos pelo Estadão avaliam que as mensagens trocadas entre o banqueiro Daniel Vorcaro e o ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF), levantam suspeitas sobre os limites da relação entre um integrante da Corte e um empresário investigado. Para eles, o caso justifica uma apuração aprofundada dos fatos.

O ex-ministro da Justiça Miguel Reale Jr. afirmou que os diálogos revelam uma “promiscuidade entre poderosos e o poder” e que os fatos conhecidos até agora podem envolver advocacia administrativa, crime que ocorre quando um funcionário público patrocina, direta ou indiretamente, interesse privado perante a administração pública valendo-se da condição que ocupa. “Isso é que choca”, disse. Para o jurista, a relação exposta mostra uma proximidade que ultrapassaria uma interlocução episódica entre o banqueiro e o magistrado. “O ministro atua de uma forma muito próxima, dando conselhos, fiscalizando ou revendo, fazendo uma revisão de contrato. Ou seja, tudo isto leva a uma descredibilidade da instituição junto à população”, afirmou.

Reale Jr. defende que os fatos sejam formalmente apurados, por meio de uma sindicância no próprio Supremo ou de uma investigação conduzida pela Procuradoria-Geral da República. “Só se mantém o respeito às instituições se houver apuração”, disse. Já o jurista e ex-desembargador do Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) Walter Maierovitch levantou a possibilidade de uma medida cautelar contra Moraes enquanto o caso é examinado. “Estou levantando a questão da necessidade do afastamento cautelar do Moraes”, afirmou.

A avaliação ocorre após a divulgação, pelo Estadão, de mensagens extraídas pela Polícia Federal do celular de Vorcaro. Os diálogos mostram o banqueiro recorrendo a Moraes em momentos sensíveis da investigação sobre o Banco Master, inclusive para perguntar sobre possíveis medidas judiciais, pedir ajuda diante do avanço das apurações e consultar o ministro às vésperas de sua prisão. O material foi extraído do aparelho apreendido durante a Operação Compliance Zero, deflagrada em novembro de 2025 para investigar suspeitas de fraudes de aproximadamente R$ 12 bilhões em cessões de carteiras de crédito do Banco Master ao BRB.

O relatório da PF, enviado ao ministro André Mendonça em 27 de agosto, identificou o número destinatário das mensagens como o contato salvo no aparelho sob o nome “Alexandre de Moraes BRASILIA”. O documento reconstrói uma relação que remonta ao fim de 2023 e vai além das mensagens sobre a investigação do Master. A PF localizou registros de encontros entre Vorcaro e Moraes e verificou que minutas do contrato firmado pelo banco com o escritório de Viviane Barci de Moraes tiveram como responsável pela última modificação um usuário identificado nos metadados como “Ministro Alexandre de Moraes”.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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