JPMorgan eleva preço-alvo da Embraer para R$ 135, reitera compra e ações sobem 2,4%
JPMorgan eleva preço-alvo da Embraer para R$ 135, reitera compra e ações sobem 2,4%
O JPMorgan elevou o preço-alvo da Embraer (EMBJ3) para dezembro de 2027, de acordo com novas estimativas após os resultados do segundo trimestre de 2026 (2T26). O banco manteve a recomendação overweight (acima da média do mercado, equivalente à compra) e agora projeta R$ 135 por ação e US$ 104 por ADR (recibo de ação negociado nos EUA). As ações da companhia fecharam a sessão desta sexta-feira (14) em alta de 2,43%, cotadas a R$ 99,02.
O novo preço-alvo representa um potencial de valorização de 40% em relação aos níveis atuais. O banco vê espaço para uma reprecificação de cerca de 20% nos múltiplos EV/EBITDA (valor da empresa sobre lucro antes de juros, impostos, depreciação e amortização), além de estimar um EBIT (lucro antes de juros e impostos) 15% a 20% acima do consenso. Segundo o JPMorgan, a revisão das projeções foi impulsionada principalmente por um aumento de 12% na estimativa de EBITDA para 2030, refletindo uma alta de 7% na receita e uma expansão de 70 pontos-base na margem EBITDA de longo prazo, para 16%. O banco também elevou em 6% e 7%, respectivamente, as estimativas de EBIT para 2027 e 2028, diante de margens cerca de 60 pontos-base maiores e de um pequeno crescimento da receita.
Para o JPMorgan, os resultados do 2T26 indicam uma reversão das expectativas negativas após dois trimestres decepcionantes, impactados por tarifas dos Estados Unidos, mix desfavorável e despesas relacionadas ao retorno aos escritórios. A Embraer registrou margem EBIT recorrente de 10,6% no trimestre, praticamente em linha com os 10,5% do 2T25 e acima dos 8,6% registrados no segundo semestre de 2025. Na avaliação do banco, o desempenho mostra que a fraqueza observada no segundo semestre de 2025 e no primeiro trimestre de 2026 não era estrutural e deve levar a novas revisões positivas das estimativas para a companhia.
O JPMorgan espera ainda que a melhora dos resultados e das margens continue sustentando uma reprecificação da Embraer. A instituição projeta que a margem EBIT ajustada da companhia alcance níveis na casa de meados dos dois dígitos no fim da década. A expansão deverá ser liderada pela divisão de Defesa, cuja margem EBIT ajustada poderia chegar a 15% com o aumento da produção do KC-390, e pela aviação comercial, com margem de 6% a 7% diante da maior produção dos jatos E2. Entre os gatilhos de curto prazo, o JPMorgan destaca uma possível contratação de aproximadamente 60 aeronaves de transporte pela Índia, além de uma campanha comercial envolvendo mais de 200 aviões. Por outro lado, o banco aponta como riscos a evolução das margens, a falta de novos pedidos e um eventual encerramento sem resultados positivos das negociações da Embraer com Índia e Estados Unidos.
O JPMorgan também considera a EVE, empresa de mobilidade aérea elétrica controlada pela Embraer, como uma opcionalidade para a tese de investimento. Caso seja incorporado um valor de US$ 6,50 por ação da EVE, o valor justo estimado para a Embraer subiria para US$ 113 por ADR ou R$ 147 por ação, com a EVE contribuindo com aproximadamente US$ 9,30 por ADR ou R$ 11,40 por ação. Após encontro com o diretor de RI da Embraer, Gui Paiva, e sua equipe para discutir as perspectivas de médio e longo prazo da companhia, a XP reiterou recomendação de compra para as ações da Embraer. A XP vê espaço para uma lucratividade estruturalmente mais alta em todo o portfólio, potencialmente sustentando novas revisões de lucros no futuro, e avalia que a companhia não deve realizar desembolsos significativos de investimentos nesta década, beneficiada pela fase de colheita de um longo ciclo de investimentos no setor aeroespacial.
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