Inadimplência do aluguel cai ao menor nível em 3 anos, mas melhora é desigual
A inadimplência dos aluguéis no Brasil voltou a cair em julho e atingiu o menor nível em três anos, mas o alívio ainda ocorre de forma desigual. A taxa nacional passou de 3,20% em junho para 3,05% em julho, com todas as regiões do país registrando redução. Os dados são do Índice de Inadimplência Locatícia (IIL), da Superlógica, que considera inadimplentes boletos sem pagamento por mais de 60 dias ou quitados com atraso superior a esse período.
O índice de julho é o menor desde junho de 2023, quando a taxa foi de 3,03%. Em 12 meses, a queda foi de 0,71 ponto percentual, já que em julho do ano passado a inadimplência estava em 3,76%. No primeiro semestre, a média ficou em 3,24%, abaixo dos 3,71% da segunda metade de 2025 e dos 3,30% do primeiro semestre do ano anterior. Para Manoel Gonçalves, diretor de Negócios para Imobiliárias do Grupo Superlógica, o recuo representa alívio para as famílias, mas é preciso acompanhar os próximos meses diante de juros elevados e pressão sobre o custo de vida.
Apesar da melhora na média, os segmentos mais vulneráveis seguem distantes do comportamento geral. Nos imóveis comerciais com aluguel de até R$ 1 mil, a inadimplência recuou de 7,40% para 7,27% em julho, taxa mais que o dobro da média nacional. Nos residenciais da mesma faixa, caiu de 6,27% para 5,99%. O contraste aparece nas faixas intermediárias: imóveis residenciais com aluguel entre R$ 2 mil e R$ 5 mil registraram inadimplência de 1,74%, a menor do segmento.
A evolução também foi diferente conforme o tipo de imóvel. Nas casas, a taxa caiu de 3,45% para 3,29%; nos apartamentos, passou de 2,16% para 2,14%; e nos imóveis comerciais, de 4,19% para 4,17%, o maior índice entre os três tipos. Nos contratos acima de R$ 13 mil, a inadimplência chegou a 4,84% nas casas, 4,55% nos comerciais e 3,58% nos apartamentos, indicando que as dificuldades também reaparecem em faixas mais altas.
As cinco regiões do país registraram queda em julho. No Nordeste, a taxa passou de 5,15% para 4,88%; no Norte, de 4,30% para 4,04%; no Centro-Oeste, de 3% para 2,80%; no Sudeste, de 2,96% para 2,78%; e no Sul, de 2,71% para 2,67%. A melhora generalizada, porém, não alterou a geografia do problema: Nordeste e Norte seguem com as maiores taxas, enquanto Sul e Sudeste permanecem na outra ponta. Os números mostram que a queda da média é uma boa notícia, mas a distância entre os 3,05% do mercado e os 7,27% dos imóveis comerciais mais baratos indica que o alívio ainda não chegou com a mesma intensidade a todos os locatários.
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