US$ 300 por hora de conversa: o preço da informação na guerra iFood x Keeta
iFood reforça acusações de espionagem contra a Keeta e cita nova onda de abordagens a funcionários
O iFood afirmou que consultorias chinesas interpelaram cerca de 100 de seus funcionários nas primeiras semanas de agosto, no que classifica como uma “quarta onda” de tentativas de obter informações confidenciais sobre a companhia. As abordagens, feitas via LinkedIn, convidavam os profissionais para pesquisas sobre a indústria de delivery de alimentos no Brasil, mas, segundo a empresa, o objetivo real seria acessar dados financeiros, planos de investimento, modelo logístico e estratégias de mercado.
O material será anexado à ação ajuizada pelo iFood contra a Keeta e sua controladora, Meituan, em maio, na qual a companhia acusa as rivais de concorrência desleal, assédio sistemático a funcionários e espionagem empresarial. O iFood afirma que 353 de seus colaboradores foram abordados desde 2025, e que a primeira onda de contatos coincidiu com a chegada da Keeta ao Brasil. Em um dos casos relatados, o valor oferecido pelos consultores chegou a US$ 300 por hora de conversa.
A Keeta nega as acusações e afirma que seus próprios funcionários também são alvo diário de abordagens de consultorias estrangeiras, incluindo europeias, com solicitações semelhantes. A empresa reforçou que segue a Lei Geral de Proteção de Dados (LGPD) e opera em conformidade com os requisitos locais. A companhia também lembrou que a Polícia Civil investiga ataques de espionagem contra a Keeta desde sua chegada em Santos, quando ao menos oito restaurantes teriam sido abordados por pessoas com credenciais falsas.
Na ação, o iFood pede que a Justiça declare que Meituan e Keeta praticaram atos ilícitos de concorrência desleal, determine que as empresas se abstenham de abordar funcionários e ex-funcionários e fixe multa de R$ 1 milhão. O CEO do iFood, Diego Barreto, afirmou que a nova onda de abordagens coincide com o lançamento do programa iFood HITS e que a companhia precisou reduzir a transparência interna na comunicação com seus cerca de 8 mil funcionários para se proteger.
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