Ian Bremmer: 'Se Lula não agir rápido na economia, o mercado vai castigá-lo duramente'
O cientista político Ian Bremmer, fundador e presidente do Eurasia Group, afirmou que o mercado deve reagir com dureza ao novo governo de Luiz Inácio Lula da Silva caso o presidente eleito não ajuste rapidamente o rumo da economia. Em entrevista à BBC News Brasil, ele avaliou que os juros subiram e o serviço da dívida ficará mais pesado, num cenário agravado pelas promessas de gasto fiscal feitas durante a campanha.
Segundo Bremmer, Lula terá de lidar com um Congresso de maioria de direita, que não deve se alinhar aos esforços do governo para legislar, inclusive na área de tributação. Ele observou que a estratégia de crescer a economia para poupar a classe trabalhadora é um discurso comum, mas que o crescimento raramente funciona como estratégia isolada e precisa estar em harmonia com outras medidas.
Sobre a contestação do resultado por Flávio Bolsonaro, que inicialmente pediu a anulação da eleição antes de recuar, Bremmer foi direto: classificou a postura como "patética" e "o oposto de liderança". Ele reconheceu que houve irregularidades apontadas na eleição, mas afirmou que os fatos mostram que Lula venceu por 4 milhões de votos e que o número de votos afetados por mudanças de horário determinadas pela Justiça foi de dezenas de milhares, o que considera irrelevante para contestar o resultado.
O analista também comentou a relação com os Estados Unidos. Na avaliação dele, o presidente Donald Trump não tentou intervir na eleição nas semanas anteriores ao segundo turno, e houve o reconhecimento de que apoiar Bolsonaro só ajudaria Lula. Bremmer espera que Trump busque com Lula a mesma cooperação que diz ter obtido com Claudia Sheinbaum, no México.
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