Filha rebelde de Fidel Castro fala da relação com pai: 'Ele me deu um boneco vestido como ele'
Filha rebelde de Fidel Castro fala da relação com pai: 'Ele me deu um boneco vestido como ele'
Desde muito cedo, Alina Fernández recebia em casa visitas frequentes de Fidel Castro, que faria 100 anos neste 13 de agosto. Mas ela passou grande parte da infância sem saber o motivo: o homem que governou Cuba por quase 50 anos era seu pai biológico. Em entrevista à BBC News Mundo, em Miami, a única filha reconhecida do ex-líder cubano relembrou a relação complexa com o pai, a descoberta da verdade e a fuga do país.
Nascida em Havana em 1956, Alina era fruto de um caso extraconjugal entre Castro e Naty Fernández, uma jovem da alta sociedade cubana. Sua primeira recordação do líder é de um homem barbudo que aparecia na TV nos horários em que antes eram exibidos desenhos do Mickey Mouse. "Mickey Mouse desapareceu", relembra ela, hoje com 70 anos. Castro brincava com ela no chão da sala e trazia presentes, incluindo um peculiar: "Ele me deu um boneco vestido como ele. Eu costumava puxar os pequenos fios de barba porque, para mim, era um boneco de brinquedo."
A verdade foi revelada quando Alina tinha 10 anos, contada pela própria mãe, que a mudaria de escola e não queria que alguém na rua lhe dissesse sem pensar. A notícia trouxe o que ela chama de "sensão de traição e mentira", já que muitos ao seu redor, incluindo sua melhor amiga, sabiam dos rumores. Alina nunca adotou o sobrenome Castro e passou anos negando publicamente a filiação. "Eu costumava responder 'não' quando me perguntavam se eu era filha dele", conta.
À medida que crescia, aumentavam sua frustração e desencantamento com o sistema imposto ao país. Ela lembra que pessoas com familiares executados entregavam cartas para que ela as encaminhasse ao líder, e descreve o culto à personalidade como um "pesadelo". Sobre o pai em particular, Alina o define como inteligente e educado, mas "uma pessoa de monólogos". "Se ele quisesse falar comigo, não era falar comigo, mas fazer com que eu o ouvisse falar", afirma. Ela também conta que ele mentiu para ela diversas vezes, oferecendo versões diferentes de fatos já contados.
Alina deixou Cuba em 19 de dezembro de 1993, durante o Período Especial, quando já era dissidente declarada e temia ser presa. Com passaporte emprestado por uma mulher espanhola e alterado por outra pessoa, ela pegou um táxi para o aeroporto de Havana, praticando sotaque espanhol no caminho. Com peruca e maquiagem forte para não ser reconhecida, passou pela alfândega sem problemas e voou para Madri. Mais tarde, conseguiu autorização para entrar nos Estados Unidos e, com mediação do líder dos direitos civis Jesse Jackson, foi reunida à sua única filha, então com 16 anos.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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