Em meio a crise de moradia, Pedro Sánchez convoca eleições antecipadas na Espanha
O primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, anunciou nesta segunda-feira (5/10), em audiência pública no palácio de La Moncloa, a antecipação das eleições gerais para 29 de novembro. O anúncio ocorre após o fracasso do plano do governo para enfrentar a crise de moradia no país e depois de dias de protestos em massa.
Em seu pronunciamento, Sánchez reconheceu erros e disse que ainda restam "muitas injustiças a serem corrigidas" e "muitos problemas a resolver, sobretudo no campo da desigualdade, dos serviços públicos e do acesso à moradia". Ele afirmou que chegou o momento de os espanhóis decidirem "qual futuro querem" e declarou que o país "passou a ser a economia que mais cresce e mais cria empregos em toda a União Europeia".
A decisão veio após o Parlamento rejeitar, na sexta-feira (2/10), dois decretos de emergência sobre moradia. O primeiro previa a suspensão dos despejos de inquilinos vulneráveis até 2030, a prorrogação por dois anos de contratos com vencimento antes de 2028, aumento de impostos para apartamentos turísticos e restrições à compra de imóveis residenciais por fundos de investimento. O segundo tratava da renovação automática dos contratos de aluguel. Os deputados rejeitaram o primeiro por 178 votos a 172 e o segundo, por 184 a 166. A derrota no Congresso foi considerada decisiva para a convocação das eleições.
Os protestos foram catalisados pelo despejo de Maricarmen Abascal, aposentada de 87 anos que não conseguiu arcar com o forte aumento do aluguel. Dias depois, ela chegou a um acordo com a empresa proprietária do imóvel para voltar para casa, mas o caso desencadeou manifestações em todo o país. No fim de semana, milhares de pessoas saíram às ruas para exigir maior proteção aos inquilinos, aluguéis mais baixos, o fim dos despejos e a proibição da compra de imóveis por fundos de investimento. Desde 26 de setembro, um acampamento foi instalado na Porta do Sol, no centro de Madri.
Após o anúncio, o presidente do Partido Popular, Alberto Núñez Feijóo, comemorou: "Finalmente, os espanhóis irão decidir". O líder do Vox, Santiago Abascal, afirmou que as eleições "serão muito incertas". Membros do gabinete de Sánchez também se manifestaram. A segunda vice-presidente e ministra do Trabalho, Yolanda Díaz, escreveu que a campanha será "para enfrentar os aluguéis" e "reduzir a jornada". O ministro da Justiça, Félix Bolaños, disse que "já se tornou um clássico Pedro virar o jogo". O presidente do governo da Catalunha, Salvador Illa, declarou apoio a Sánchez.
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