Eleitor se cansou da crise no STF? “Vocês estão me atrapalhando”, diz pesquisadora
Em meio à escalada da crise do Supremo Tribunal Federal, a maioria dos brasileiros prefere que investigações não interfiram no processo eleitoral. A avaliação foi apresentada pela CEO do Instituto Ideia, Cila Schulman, durante participação no programa Mapa de Risco, do InfoMoney.
Segundo levantamento do instituto, mais de 60% dos entrevistados afirmaram que informações de investigações não deveriam vazar antes da conclusão dos procedimentos e também rejeitaram que esse tipo de divulgação ocorra durante o período eleitoral. Para a pesquisadora, o resultado indica que o eleitor está menos interessado em acompanhar novos capítulos da crise em Brasília do que em discutir os problemas que afetam diretamente a sua vida.
“O eleitor está dizendo: ‘vocês estão me atrapalhando’”, afirmou Schulman durante o programa. A percepção surge em um momento em que o STF passou ao centro da campanha, com a crise envolvendo os ministros Alexandre de Moraes e André Mendonça, os desdobramentos do caso Banco Master e as decisões conflitantes sobre o comando da Polícia Federal sendo explorados tanto pela campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) quanto pela de Flávio Bolsonaro (PL).
Segundo a pesquisadora, o ambiente atual é diferente daquele observado durante a Operação Lava Jato, quando a insatisfação com a corrupção ajudou a mobilizar parte do eleitorado e alimentou a ascensão de uma candidatura antissistema. Agora, o eleitor parece mais preocupado com o próprio cotidiano, o que se explica pelo desalento com as alternativas disponíveis e pela situação financeira das famílias. O eleitor já experimentou governos dos dois campos que hoje protagonizam a disputa e chega à eleição pressionado por problemas mais imediatos.
A analista de política da XP Bárbara Baião também vê uma sobreposição entre a crise institucional e uma insatisfação que já existia antes dela. Segundo Baião, parte do eleitorado está desgastada com o custo de vida e o endividamento e não percebe melhora suficiente em sua situação cotidiana, e a turbulência em Brasília adicionaria “uma névoa maior numa camada de bastante irritação”. Do ponto de vista eleitoral, o risco para as campanhas é que o excesso de conflitos não provoque apenas indiferença, mas contribua para aumentar a vontade de não comparecer às urnas. Schulman afirmou que o instituto considera a possibilidade de aumento da abstenção, dos votos brancos e dos nulos, lembrando que a abstenção histórica brasileira gira em torno de 20% e tende a ser maior entre eleitores de menor escolaridade — por isso, um aumento da ausência nas urnas pode atingir de maneira desigual as candidaturas.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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