'Criei do nada um império da moda que me deixou multimilionária, mas cresceu tanto que abri falência'
A empresária Sophia Amoruso transformou a Nasty Gal, marca de roupas que começou vendendo peças vintage no eBay, em uma empresa avaliada em centenas de milhões de dólares. Em entrevista ao programa de rádio Business Daily, do Serviço Mundial da BBC, ela contou que criou o negócio, em 2006, enquanto tentava fugir do trabalho formal. Na época, estava sem dinheiro e conferia crachás de identificação no saguão de uma escola de arte.
Antes disso, Amoruso havia revendido livros pela Amazon e montado uma loja de roupas vintage no eBay, com peças encontradas entre pertences de pessoas falecidas. Segundo ela, o primeiro ano e meio foi feito sozinha: tirava fotos, editava, precificava, escrevia descrições e publicava os anúncios. Os leilões começavam em US$ 9,99. O nome da marca foi inspirado em um álbum da cantora Betty Davis.
O crescimento foi rápido. A Nasty Gal chegou a ser a varejista que mais cresceu nos Estados Unidos em 2012, com faturamento superior a US$ 100 milhões, segundo a revista Inc. No primeiro ano, Amoruso ganhou cerca de US$ 75 mil; no segundo, US$ 250 mil; no terceiro, US$ 1,1 milhão; no quarto, US$ 6,5 milhões; e, no quinto, US$ 30 milhões. Entre 2008 e 2011, as vendas cresceram mais de 10.000%. Um fundo de capital de risco avaliou a empresa como uma companhia de tecnologia de US$ 350 milhões, e ela recebeu US$ 50 milhões em troca de participação para financiar a expansão.
Para Amoruso, foi nesse momento que os problemas começaram. Ela afirmou à BBC que a empresa de moda não estava preparada para uma escalada tão significativa e que os interesses dos investidores podem não estar alinhados aos da empresa ou aos dos fundadores. A receita caiu para cerca de US$ 85 milhões em 2014, e Amoruso deixou o cargo de diretora-executiva. Após meses em busca de um comprador, a Nasty Gal teve a falência decretada. Em 2017, o grupo britânico Boohoo comprou os ativos da marca por cerca de US$ 20 milhões.
Amoruso também publicou o livro #GIRLBOSS, em 2014, no qual descreve sua filosofia de trabalho e defende que a mulher assuma o controle e a responsabilidade sobre suas escolhas. Ela conta que, em certo momento, sua fortuna foi maior que a de Beyoncé, mas que, antes disso, andou de carona, roubou livros e revirou latões de lixo em busca de comida.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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