Por que falamos muito e somos pouco escutados?
Em artigo publicado pelo Vatican News, o padre Marcio Tadeu, sacerdote da Diocese de Votuporanga (SP), avalia que a Igreja Católica tem falado muito e sido pouco escutada pela sociedade brasileira. Para ele, o problema começa no coração e se chama soberba, tratada na Bíblia como o pecado originário. Quando a soberba entra no terreno das ideias, ganha o nome de ideologia: uma verdade parcial promovida a verdade inteira, que deixa de ouvir o diferente.
O sacerdote observa que, passados mais de sessenta anos do Concílio Vaticano II, a Igreja abriu muitas frestas, mas ainda não está "de janelas abertas". Segundo ele, a sinodalidade — caminhar juntos — exige humildade e a disposição de aceitar o risco de o diferente ter razão; caso contrário, a escuta se reduz a burocracia pastoral. Ele cita a Gaudium et Spes, que pede investigar os sinais dos tempos antes de interpretá-los, e recorda a Evangelii Gaudium, na qual o papa Francisco afirma preferir "uma Igreja acidentada, ferida e enlameada por ter saído pelas estradas".
Diante da digitalização da sociedade e da convivência crescente com a inteligência artificial, o padre defende realinhar a pauta da Igreja: começar pelas perguntas que as pessoas de fato fazem e só depois oferecer o depósito da fé. "A Verdade que recebemos é dom e responsabilidade, e ninguém a possui como quem guarda um cofre", escreve. A humildade, conclui, deixa intacto tudo o que se crê e tira apenas a pose.
Esta matéria foi publicada primeiro em Religião · Vatican News PT e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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