É possível comer ultraprocessados e se manter saudável? O que nutricionista diz sobre meu carrinho de compras
Os alimentos ultraprocessados estão associados a uma série de problemas de saúde, mas a forma como eles entram na alimentação cotidiana ainda gera dúvidas e debates entre especialistas. Em reportagem da BBC, a repórter de saúde e bem-estar Ruth Clegg relata que decidiu entregar sua própria lista de compras semanal para uma nutricionista analisar, em meio ao que descreve como um verdadeiro "campo minado" nos corredores do supermercado.
De acordo com a classificação mais usada em pesquisas sobre o tema, a NOVA, um alimento não é considerado ultraprocessado apenas pelo número de ingredientes que contém. O que importa é a combinação entre o grau de processamento e o tipo de ingredientes e aditivos usados na formulação. Em geral, são produtos industriais que passam por várias etapas de processamento e costumam levar emulsificantes, aromatizantes, corantes e adoçantes — substâncias que não são normalmente usadas em uma cozinha doméstica.
Há um conjunto amplo e crescente de evidências que associa o consumo elevado desses alimentos a obesidade, doenças cardiovasculares, diabetes e outros distúrbios metabólicos. Estudos também investigam possíveis ligações com problemas de saúde mental e maior risco de morte prematura. Ainda assim, cientistas, médicos e nutricionistas não chegaram a um consenso sobre a causa: não se sabe se os efeitos se devem apenas ao alto teor de gordura, açúcar, sal e calorias ou se o próprio ultraprocessamento também desempenha um papel.
Maeve Hanan, membro da Associação Britânica de Dietética, avalia que existe uma "histeria crescente" em torno do tema, alimentada por mensagens "muito preto no branco" de que determinada comida é boa ou ruim. Segundo ela, o simples fato de um produto ter uma longa lista de ingredientes não o torna "inerentemente ruim", e o valor nutricional é "muito mais importante". Ao analisar a lista da repórter, Hanan afirmou haver "uma boa variedade de alimentos que abrangem todos os grupos alimentares".
Sobre os nuggets de frango comprados para o filho da jornalista, a nutricionista observou que se trata de uma boa fonte de proteína, mas com mais gordura e sal do que um peito de frango simples, recomendando consumo com moderação dentro de uma dieta equilibrada. "Um único alimento não torna sua dieta saudável ou não saudável. O importante é encontrar esse equilíbrio ao longo do tempo", disse. A reportagem também apresenta o caso de Megan Bamford, que eliminou os ultraprocessados para controlar a síndrome do intestino irritável e a dor crônica, mas, como mãe de duas crianças pequenas, diz que cozinhar tudo do zero nem sempre é viável. O cientista de alimentos David Julian McClements defende que a "ideia de alimento ultraprocessado não está muito bem definida" e que focar no processamento é "um pouco uma distração".
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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