Day trade em eleição: mais volatilidade, mais risco? Veja como se preparar
Com o primeiro turno das eleições de 2026 marcado para 4 de outubro e um eventual segundo turno previsto para 25 de outubro, conforme o calendário oficial do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), o processo eleitoral já entrou no radar dos operadores de day trade. Um estudo do analista André Moraes, fundador e CEO da Trade ao Vivo e chairman da BFR Investimentos, analisou o comportamento do futuro do índice Ibovespa nas últimas cinco eleições presidenciais e relacionou esses movimentos à gestão de risco.
O levantamento considera as eleições de 2006, 2010, 2014, 2018 e 2022, comparando a abertura e o fechamento da segunda-feira posterior a cada turno com o fechamento da sexta-feira anterior. Após o primeiro turno, o maior movimento ocorreu em 2014: o índice futuro abriu 9,60% acima da referência da sexta-feira e encerrou a sessão com alta de 5,15%. Em 2018, a abertura foi de 4,50% e o fechamento, de 4,20%. Em 2022, o salto na abertura foi de 3,20%, com fechamento em 5,47%. Já em 2006 e 2010, os movimentos foram mais contidos, com aberturas de 0,30% e 0,10%, respectivamente.
Segundo Moraes, quem entra e sai do mercado no mesmo pregão não fica exposto diretamente ao gap entre sexta e segunda-feira. Nesse caso, a atenção se desloca para a amplitude dos movimentos dentro da sessão e para eventuais reversões mais fortes. Um stop usado em um pregão de menor oscilação pode deixar de ser adequado quando a amplitude aumenta. Se o operador amplia essa distância, porém, o tamanho da posição passa a fazer parte da mesma conta.
Para ilustrar a relação, o estudo usa um exemplo com mini índice. Um operador disposto a assumir risco máximo de R$ 250, com stop de 200 pontos e R$ 0,20 por ponto, tem R$ 40 de risco por contrato — cerca de R$ 240 em uma posição de seis contratos. Se o stop for ampliado para 400 pontos, o risco sobe para R$ 80 por contrato e a quantidade precisaria cair para cerca de três contratos para manter a mesma exposição. Caso o operador mantenha os seis contratos, o risco potencial salta para cerca de R$ 480. "Quem alarga o stop e mantém o tamanho está dobrando a aposta sem perceber", afirma Moraes no estudo.
O levantamento também observa o comportamento da segunda-feira posterior ao segundo turno. Em 2018, o índice futuro abriu 3,30% acima da referência da sexta-feira, mas terminou o pregão 3,07% abaixo. Em 2022, houve o movimento contrário: queda de 3,28% na abertura e fechamento 0,34% acima. Em 2014, a abertura foi de -7,43%, com perda reduzida a 1,67% no encerramento. Para Moraes, esses episódios mostram por que uma leitura sobre direção não elimina o risco provocado pelo caminho percorrido pelo mercado ao longo da sessão. O dimensionamento da posição, segundo ele, deve partir do risco financeiro admitido pela estratégia e da distância necessária até o stop — a quantidade de contratos é consequência dessas duas variáveis.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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