BBAS3 sofre nas eleições? O que seis disputas mostram — e o alerta de 2026
Por ser uma empresa controlada pelo governo federal, o Banco do Brasil (BBAS3) costuma atrair atenção extra quando a corrida presidencial esquenta. Uma troca de governo pode alterar expectativas sobre estratégia, concessão de crédito, rentabilidade, dividendos e o grau de interferência sobre o banco. Os números, porém, contam uma história menos óbvia: nos seis anos de eleição presidencial completos entre 2002 e 2022, a ação terminou cinco no campo positivo. A única exceção foi 2002, com recuo de 2,4%. Na média, BBAS3 avançou 26,7% nos anos eleitorais, com mediana de 22,9%.
O desempenho no ano seguinte às urnas foi ainda maior: média de 41,8% e mediana de 32,7%. Os números, no entanto, escondem diferenças enormes entre os ciclos — de uma valorização de 162,5% em 2003 a uma queda de 32,3% em 2015. Em 2026, até 14 de setembro, BBAS3 acumula valorização de 3,04%. Como o ano ainda está em andamento, esse desempenho fica fora dos cálculos históricos dos seis ciclos anteriores.
Olhar apenas o retorno de janeiro a dezembro conta só parte da história. Mês a mês, os anos eleitorais foram marcados por solavancos, muitas vezes quando a campanha ganhava temperatura. Maio terminou negativo em cinco dos seis ciclos completos, com retorno médio de -4,8%. Em junho, o padrão se repetiu: cinco quedas, com média de -8,6%. Setembro caiu em cinco das seis eleições, com média de -8,4%. Outubro mostra movimento quase oposto: alta em cinco dos seis episódios, com retorno médio de 14,1%. Em 2026, até 14 de setembro, a ação sobe 7,25% no mês, contrariando justamente um dos padrões mais recorrentes.
O risco político também mudou de natureza entre 2002 e 2022. Em 2002, a eleição de Luiz Inácio Lula da Silva ocorreu em meio a uma crise de confiança que atingia o país como um todo, quando o risco-país passou de 2.400 pontos e o dólar encostou em R$ 4, segundo o analista CNPI Bruno Marin. Em 2014, no pregão seguinte à reeleição de Dilma Rousseff, BBAS3 caiu cerca de 5%, enquanto o Ibovespa recuou aproximadamente 2,8%. Em 2018, o sinal mudou: à medida que Jair Bolsonaro ganhou força, o mercado passou a incorporar a expectativa de uma agenda mais favorável à rentabilidade das estatais, e a ação fechou o ano com alta de 51,4%. Em 2022, o movimento se inverteu: no pregão seguinte à vitória de Lula, BBAS3 caiu 4,6% enquanto Itaú e Bradesco subiam, na ilustração, segundo Marin, do desconto de controle estatal.
O que veio depois mostrou que a reação imediata às urnas não antecipou uma piora dos resultados. Segundo Marin, Tarciana Medeiros entregou lucro recorde de R$ 35,6 bilhões, ROE de 21,6% e alta de cerca de 60% na ação em 2023, com máxima histórica em maio de 2025. Pelos dados do ProfitPro usados no levantamento, BBAS3 encerrou 2023 com alta de 73,9%. É nesse ponto que 2026 ganha um ingrediente diferente: em 2022, o banco chegava à eleição com rentabilidade elevada — e, desta vez, o balanço também está na equação.
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