Data centers são bons para produtividade, mas podem disparar inflação, diz Fed
O presidente do Federal Reserve (Fed) de Chicago, Austan Goolsbee, afirmou nesta terça-feira, 11, que a expansão dos data centers voltados para inteligência artificial (IA) representa um desafio duplo para a economia americana. Segundo ele, as estruturas são positivas para o aumento da produtividade, mas o consumo elevado de energia e os investimentos maciços no setor podem pressionar a inflação, exigindo cautela na condução da política monetária.
Em discurso, Goolsbee destacou que o boom de construção dessas instalações gera um choque de demanda relevante em setores como o de energia elétrica e materiais de construção. O risco, na avaliação do dirigente do Fed, é que esse movimento ocorra de forma acelerada e concentrada, criando pressões de preços em cadeias produtivas específicas antes que a oferta consiga se ajustar.
O presidente da distrital de Chicago ponderou que o efeito líquido sobre a economia dependerá da velocidade com que os ganhos de eficiência proporcionados pela IA se materializam. Se a tecnologia elevar a produtividade de forma disseminada, ela pode compensar os custos iniciais. Caso contrário, o país pode conviver com um período de inflação mais persistente sem o correspondente retorno em crescimento.
As declarações ocorrem em um momento em que o banco central americano monitora de perto os indicadores de preços e o mercado de trabalho para calibrar o ritmo de cortes ou manutenção da taxa de juros. Goolsbee não detalhou qual deve ser o próximo movimento do comitê, mas reforçou que a instituição precisa avaliar os efeitos indiretos de novas tecnologias sobre a dinâmica inflacionária antes de tomar decisões.
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