CSN salta e CSN Mineração cai 5% – mesmo que 2T tenha indicado “o contrário”; entenda
Os resultados do segundo trimestre de 2026 de CSN (CSNA3) e CSN Mineração (CMIN3) reforçaram a percepção de que a mineradora entregou o melhor desempenho operacional, enquanto a siderúrgica segue dependente da desalavancagem. Apesar disso, as ações reagiram de forma contrária: CSNA3 subiu 5,56%, a R$ 4,55, enquanto CMIN3 caiu 5,18%, a R$ 5,49, na quinta-feira (13). No acumulado do ano, CMIN3 avança cerca de 12%, enquanto CSNA3 desaba aproximadamente 49%, movimento que analistas atribuem à realização de lucros na mineradora e à busca por oportunidades na siderúrgica após a forte queda.
Na CSN, o Ebitda ajustado ficou entre R$ 2,6 bilhões e R$ 2,8 bilhões no trimestre, acima ou em linha com as estimativas. O desempenho foi puxado pela divisão de aço, com recuperação de volumes e margens, e pelo cimento, que registrou mais um trimestre de rentabilidade recorde. O Goldman Sachs calculou o Ebitda do aço em R$ 636 milhões, beneficiado pela retomada dos volumes domésticos, aumento de preços e melhora dos custos unitários. O JPMorgan destacou alta de 37% nos embarques domésticos na comparação anual e queda de 3% no custo caixa por tonelada. No cimento, o Ebitda cresceu mais de 45% ano a ano.
Apesar da melhora operacional, a geração de caixa segue como principal ponto de atenção. A XP avaliou que a desalavancagem ficou para depois, com queima de caixa elevada por investimentos, despesas financeiras e amortizações de contratos de pré-pagamento de minério. O Goldman Sachs estima que a companhia consumiu cerca de R$ 2 bilhões em caixa no trimestre, com liberação de capital de giro de aproximadamente R$ 900 milhões insuficiente para compensar investimentos de R$ 1,4 bilhão e despesas financeiras de R$ 1,5 bilhão. A dívida líquida subiu para cerca de R$ 40 bilhões, com alavancagem em aproximadamente 3,4 vezes o Ebitda.
Na CSN Mineração, os embarques de minério de ferro somaram 11,8 milhões de toneladas, acima das projeções de Morgan Stanley, Goldman Sachs e JPMorgan. O Ebitda ajustado ficou próximo de R$ 1 bilhão, abaixo de algumas estimativas de consenso, mas acima das projeções de Goldman Sachs e Morgan Stanley. O custo caixa por tonelada caiu para cerca de US$ 29, melhor que o esperado. A XP destacou volumes sólidos e custos menores como suporte à rentabilidade, mesmo com preços mais fracos do minério.
Por outro lado, o fluxo de caixa operacional decepcionou: apenas R$ 119 milhões, muito abaixo das expectativas, segundo o Morgan Stanley. O consumo de capital de giro, incluindo redução de mais de R$ 1 bilhão em adiantamentos de clientes, pressionou o resultado. A dívida líquida da mineradora subiu para R$ 1,4 bilhão, ante cerca de R$ 700 milhões no trimestre anterior. Para Goldman Sachs e XP, o principal gatilho para os papéis da CSN segue sendo o programa de venda de ativos, estimado entre R$ 15 bilhões e R$ 18 bilhões, visto como fundamental para acelerar a redução da dívida.
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