Eleição eleva risco, e Ibovespa chega às urnas sem prêmio histórico de retorno
Às vésperas do primeiro turno, a eleição voltou a elevar o risco na Bolsa brasileira, mas o investidor não recebeu neste ano a mesma compensação em retorno observada em pleitos anteriores. A volatilidade atingiu níveis recorde enquanto o Ibovespa acumulava desempenho bem abaixo da média histórica nas janelas mais próximas das urnas.
Levantamento da Nomad mostra que, até 18 de agosto, o Ibovespa acumulava queda de 11,5% nos seis meses anteriores ao primeiro turno, ante recuo médio de 2,2% entre 2006 e 2022. Em três meses, a baixa era de 4,4%, enquanto a média histórica apontava alta de 7,1%. No horizonte de 12 meses, porém, o índice avançava 15,3%, acima da média de 7,8%, o que indica que o descolamento negativo se concentrou justamente na aproximação da eleição.
Dados de volatilidade reforçam o aumento da percepção de risco perto da votação. O S&P/B3 Ibovespa VIX, que mede a expectativa de volatilidade do mercado acionário brasileiro, bateu na sexta-feira, 2, novo recorde, aos 33,21 pontos, maior nível desde o lançamento do indicador, em março de 2024. Calculado a partir das opções sobre o Ibovespa, o índice mede a volatilidade implícita esperada para os 30 dias seguintes; acima dos 30 pontos, a metodologia indica ambiente de turbulência mais elevada. Segundo a Nomad, a volatilidade tende a aumentar no intervalo entre o primeiro e o segundo turno, como ocorreu em 2014, 2018 e 2022.
A estrategista de ações da Nomad, Rebecca Nossig, afirma que a particularidade deste ano está na ausência de compensação proporcional para o aumento do risco. Segundo ela, o cenário de juros e inflação elevados nos Estados Unidos, tensões geopolíticas e a disputa por capital com mercados mais seguros retiram dinheiro da Bolsa brasileira. A economista e advisor da Blue3 Investimentos, Bruna Centeno, vê a volatilidade como ponto central da reta final da disputa, mas avalia que os preços dos ativos podem limitar parte do afastamento dos investidores.
Dados da B3 mostram que os estrangeiros voltaram ao Brasil ao longo de setembro, mas o ingresso não compensou a forte saída de agosto, quando preocupações com o cenário fiscal, o rebaixamento na recomendação de alocação por grandes bancos e a realocação para tecnologia tiraram R$ 18,1 bilhões do mercado. Para o analista de investimentos do Andbank, Fernando Bresciani, a incerteza não deverá desaparecer com a primeira votação, e o nível elevado dos juros adiciona outro obstáculo à renda variável em um momento de maior risco político.
Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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