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Crise institucional prejudica debate eleitoral, avaliam entidades

Atualizado em 13/09/2026 às 20:20 schedule 3 min de leitura visibility 2 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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A menos de um mês do primeiro turno das eleições de 2026, a escalada da crise político-institucional ofuscou o debate sobre as propostas de campanha e os problemas estruturais brasileiros. Para entidades da sociedade civil ouvidas pela Agência Brasil, as disputas entre ministros do Supremo Tribunal Federal (STF), ao extrapolarem a Corte e envolverem outras instituições, dominaram o noticiário, as redes sociais e as conversas cotidianas, desviando o foco dos desafios nacionais.

“O debate eleitoral está prejudicado porque, no primeiro plano, as atenções estão todas voltadas para os reflexos da atual crise institucional do Poder Judiciário”, afirmou a presidenta da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Samira de Castro. Para a presidenta da Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC), Francilene Garcia, a agenda pré-eleitoral foi tomada por temas que a sociedade não escolheu. “Há uma lacuna imensa em relação a outros temas fundamentais que deveriam estar no centro do debate político-eleitoral, como a ciência, que depende de regras estáveis, orçamento previsível e atenção”, disse.

Os entrevistados concordam que os fatos vindos à tona a partir dos desdobramentos da Operação Compliance Zero, cuja primeira fase foi deflagrada em novembro de 2025 pela Polícia Federal, são graves. Eles defendem a apuração das suspeitas de envolvimento de autoridades com o dono do antigo Banco Master, Daniel Vorcaro, mas sem tirar espaço do debate sobre as propostas de quem disputará um cargo executivo ou legislativo no dia 4 de outubro. O coordenador honorário da Campanha Nacional pelo Direito à Educação, Daniel Cara, considera as eleições deste ano as mais relevantes desde a Constituição Federal de 1988. “Os grandes temas que deveríamos estar discutindo – desenvolvimento econômico, soberania nacional, uma agenda que articule defesa, educação, ciência e tecnologia – estão escanteados”, completou.

Segundo a presidenta do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap), Rita Serrano, para a classe trabalhadora são prioritários o fim da escala 6x1, a geração de emprego e renda, a regulamentação da negociação coletiva no setor público (Projeto de Lei 1.893/2026), a segurança pública e temas estratégicos como o aproveitamento dos minerais críticos e estratégicos. “Até o fim de agosto, isso estava avançando. Aí o Brasil virou uma confusão. No momento, todos os Poderes parecem estar surpresos, e a sociedade assustada com o desenrolar desta crise institucional – que é gravíssima e jogou para segundo plano todos os outros temas”, disse.

Os entrevistados também apontam a centralidade das mudanças climáticas. “Surpreendentemente, poucos candidatos citam a crise climática entre suas principais preocupações. Pior. Há candidatos que negam o problema”, criticou o secretário executivo do Observatório do Clima, Márcio Astrini. Já o coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), Alcebias Constantino, destacou a importância estratégica dos minerais críticos e das terras raras e informou que o movimento decidiu lançar e apoiar 56 candidatos aos cargos de deputado estadual, deputado federal, senador, governador e suplência do Senado. “Enxergamos o pleito eleitoral como uma importante ferramenta de garantia dos nossos direitos”, afirmou.

Esta matéria foi publicada primeiro em Política · Agência Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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