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Covid, subprime e 11 de Setembro: pós-eleição de Lula se junta a quedas históricas

Atualizado em 31/10/2026 às 09:35 schedule 3 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O Ibovespa acumulou queda de 18,12% na semana encerrada nesta sexta-feira (30), colocando o período pós-eleição de 2026 entre as quatro maiores baixas semanais da Bolsa brasileira neste século. O índice passou a dividir o ranking com três episódios marcados por fortes choques nos mercados: a crise financeira global de 2008, a pandemia de Covid-19, em 2020, e os ataques de 11 de Setembro, em 2001.

A maior queda semanal do século ocorreu em 10 de outubro de 2008, quando o Ibovespa perdeu 20,01%, em meio à crise do subprime e à falência do Lehman Brothers. Em 20 de março de 2020, o avanço da Covid-19 e as medidas de restrição adotadas por diversos países derrubaram o índice em 18,88%. Já na semana encerrada em 14 de setembro de 2001, os atentados terroristas nos Estados Unidos provocaram perda de 18,12% — mesmo percentual registrado agora, no pós-eleição.

Economistas ouvidos pelo InfoMoney apontam origens distintas para os movimentos. Em 2001 e 2008, a pressão sobre os ativos brasileiros veio principalmente de crises iniciadas nos Estados Unidos e de uma onda global de aversão ao risco. Em 2020, a pandemia abriu um período em que empresas, governos e investidores ainda não conseguiam dimensionar a duração e os efeitos econômicos da crise sanitária.

No episódio atual, Rafael Cagnin, diretor-executivo do IEDI, avalia que a queda deve ser analisada também a partir da forte valorização que a antecedeu. Após o primeiro turno, investidores passaram a atribuir maior probabilidade à vitória de Flávio Bolsonaro e montaram posições com base na expectativa de uma política econômica mais voltada à consolidação fiscal. O Ibovespa chegou a superar os 209 mil pontos em outubro. Com a vitória de Lula, essas posições começaram a ser desmontadas rapidamente. Na segunda-feira (26), o índice caiu 13,88% e a B3 acionou o circuit breaker pela primeira vez desde a pandemia.

Para Cagnin, a alta anterior ajuda a explicar a magnitude do movimento, já que não houve repique tão forte e de tão curto prazo nos outros três episódios. Ele classifica o momento atual não como reversão de patamar, mas como correção de expectativas. Otaviano Canuto, ex-vice-presidente do Banco Mundial e atualmente no Policy Center for the New South, identifica nos quatro episódios o fenômeno do overshooting, quando os preços dos ativos fazem um movimento muito intenso após mudança nas expectativas dos investidores. No caso atual, ele relaciona o movimento ao aumento do prêmio de risco e à menor probabilidade, na avaliação do mercado, de implementação de um programa de correção fiscal.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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