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Como as “Midterms” podem influenciar a relação entre Brasil e EUA

Atualizado em 31/10/2026 às 10:05 schedule 4 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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O governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) decidiu não reagir à viagem do senador Flávio Bolsonaro (PL) aos Estados Unidos e aguarda o resultado das eleições legislativas americanas, as chamadas “midterms”, marcadas para terça-feira (3), para calibrar a relação com Washington. A avaliação no Palácio do Planalto é que a votação pode alterar a correlação de forças políticas nos EUA e influenciar o rumo das relações bilaterais.

Nesse contexto, Lula pretende deixar as questões envolvendo Flávio sob responsabilidade da Justiça brasileira e evitar uma escalada de tensões com o presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, e com o presidente da Argentina, Javier Milei. Após ter os passaportes brasileiros cancelados por determinação do ministro Alexandre de Moraes, Flávio cruzou na terça-feira (27) a fronteira com a Argentina usando um passaporte italiano e seguiu para os Estados Unidos. A Polícia Federal apura as circunstâncias da saída do senador, investigado em dois inquéritos no Supremo Tribunal Federal (STF).

Pragmatismo em Brasília

Na quinta-feira (29), Trump afirmou que deseja conversar com Lula, mas voltou a fazer críticas ao processo eleitoral brasileiro sem apresentar provas. Até o momento, não há telefonema agendado nem solicitação formal de contato por parte do presidente brasileiro. Integrantes do governo ressaltam que o resultado das eleições brasileiras foi amplamente reconhecido pela comunidade internacional. O episódio também deve retardar a análise do agrément — o aval diplomático para a nomeação de um embaixador — de Daniel Perez, indicado por Trump para comandar a embaixada dos Estados Unidos em Brasília.

Enquanto isso, o chanceler Mauro Vieira participa nesta sexta-feira (30) e no sábado (31) da reunião de ministros das Relações Exteriores do G20, em Atlanta, organizada pelo secretário de Estado Marco Rubio, um dos principais aliados da família Bolsonaro dentro da administração Trump. Já os chefes de Estado do grupo têm encontro marcado para os dias 14 e 15 de dezembro, no resort Trump National Doral, em Miami.

Tarifas devem escapar da disputa eleitoral

Desde 22 de julho, produtos brasileiros são alvo de uma tarifa de 25% imposta pelos Estados Unidos com base na Seção 301 da legislação comercial americana, com exceções para café, carne bovina e suco de laranja. Para 85,3% do volume atingido, a nova taxa se soma a outra tarifa de 25% já existente, elevando a carga total para 37,5%. Os dois governos criaram um grupo de trabalho para tratar do tema, e o Brasil aguarda uma proposta americana nas próximas semanas. Mesmo que os democratas avancem no Congresso, a avaliação em Brasília é que haverá pouca margem para reverter as tarifas no curto prazo, já que projetos destinados a limitar o poder presidencial na área comercial dificilmente reuniriam apoio suficiente para superar um eventual veto da Casa Branca.

O ex-embaixador do Brasil em Washington Rubens Barbosa não espera mudanças significativas na política comercial americana. “Não acho que a eleição terá efeito direto sobre o Brasil, mas certamente terá impacto na política interna dos Estados Unidos”, afirmou. Na avaliação do diplomata, a política tarifária tende a sobreviver ao próprio Trump porque reflete interesses econômicos considerados estratégicos pelos EUA. Já o historiador James Green, da Universidade Brown e diretor do Washington Brazil Office (WBO), vê as tarifas como um instrumento essencialmente político. “As tarifas não têm lógica econômica. São instrumentos de pressão política, negociação e retaliação”, afirmou.

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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