Cortes de R$ 250 bilhões de Flávio podem afetar aposentados, saúde e educação
A campanha de Flávio Bolsonaro (PL) ainda não apresentou oficialmente seu programa econômico, mas reportagens publicadas em outubro apontam discussões internas sobre um ajuste fiscal de até R$ 250 bilhões — equivalente a aproximadamente 2% do Produto Interno Bruto (PIB). Segundo a Folha de S.Paulo, integrantes da equipe estudam alternativas para reduzir despesas obrigatórias da União. A campanha nega que as medidas façam parte de suas propostas oficiais.
Entre os pontos em discussão está a possibilidade de desvincular os reajustes de aposentadorias e do Benefício de Prestação Continuada (BPC) dos aumentos reais do salário mínimo. Hoje, benefícios atrelados ao piso nacional acompanham sua valorização acima da inflação. Pela alternativa relatada, passariam a ser corrigidos apenas pelo Índice Nacional de Preços ao Consumidor (INPC), preservando o valor corrigido pela inflação, mas interrompendo ganhos adicionais. O impacto não seria um corte nominal imediato, e sim acumulado ao longo do tempo.
Outro eixo envolve os pisos constitucionais de saúde e educação. A discussão, conforme a reportagem, prevê substituir parte dessas vinculações por regras de correção inflacionária, de modo que deixem de acompanhar automaticamente o crescimento das receitas. O InfoMoney, com base nas informações da Folha, menciona projeções de redução de cerca de R$ 23 bilhões no primeiro ano, com impactos acumulados maiores na década. São estimativas associadas às hipóteses estudadas, não valores aprovados.
Ainda segundo as reportagens, a Previdência Social e o BPC aparecem expressamente entre as despesas com regras de reajuste discutidas. O Bolsa Família não foi identificado como alvo direto das medidas descritas. A dimensão de R$ 250 bilhões, por si só, não comprova que todo o ajuste sairia de cortes diretos em benefícios sociais. Também foi mencionada a possibilidade de reunir as medidas em uma "Super PEC da Transição", a ser enviada ao Congresso entre a eleição e a posse — mas não há proposta oficialmente apresentada com esse conteúdo.
Na equipe que formula o programa econômico, além de Daniella Marques — ex-presidente da Caixa Econômica Federal e ex-integrante da equipe do ministro Paulo Guedes —, participa Adolfo Sachsida, ex-ministro de Minas e Energia. Outros nomes ligados ao mercado financeiro são citados como possíveis integrantes de um futuro governo, entre eles Roberto Campos Neto, Alexandre Bettamio e Marcelo Kayath. A escolha do responsável pela política econômica não foi anunciada oficialmente. Em entrevista ao videocast C-Level, da Folha, publicada em agosto, Daniella defendeu redução de privilégios, supersalários, cargos comissionados e ministérios, e afirmou que o detalhamento da economia dependeria das discussões no Congresso.
Esta matéria foi publicada primeiro em Pragmatismo Político e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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