Como o Uruguai virou destino preferido de milhares de cubanos
O Uruguai se tornou um destino atípico para milhares de cubanos que deixam a ilha caribenha em meio a uma crise humanitária. Segundo a Direção Nacional de Migração uruguaia, somente em 2025 as entradas de cubanos no país superaram as saídas em 14.961 pessoas; entre janeiro e julho deste ano, o saldo positivo foi de 8.123. A grande maioria dos pedidos de refúgio no país (89%) vem de cubanos, de acordo com a Comissão para Refugiados (Core), presidida pela vice-chanceler Valeria Csukasi.
Entre os fatores que explicam a escolha estão a tradição uruguaia de abertura à imigração, a estabilidade política e econômica e os serviços gratuitos de saúde, educação e assistência social a famílias de baixa renda, incluindo estrangeiros residentes. O fluxo mais tradicional para os EUA foi interrompido por restrições do governo de Donald Trump e pela exigência de visto pela Nicarágua, que servia de ponte de saída da ilha. Muitos cubanos entram pela fronteira Santana do Livramento-Rivera, vindos do Brasil, após atravessarem a Guiana — único país da América do Sul que não exige visto de cubanos.
Madelyn del Río, presidente da ONG Manos Cubanas, estima que hoje vivam no Uruguai cerca de 60 mil cubanos, cinco vezes mais que os 11.826 registrados no censo de 2023. No país, os cubanos são os que mais recebem residências permanentes: 6.185 no ano passado e 4.665 nos primeiros sete meses deste ano. Muitos, porém, permanecem em situação migratória pendente ou têm pedidos de refúgio rejeitados.
Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.
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