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Chefes de empresas de tecnologia pedem desaceleração da IA — mas o que a China pensa?

Atualizado em 19/09/2026 às 11:50 schedule 3 min de leitura visibility 41 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Alguns dos principais nomes do setor de tecnologia têm feito alertas contundentes sobre os riscos da inteligência artificial (IA). Dario Amodei, presidente-executivo da Anthropic, defende que o desenvolvimento da tecnologia seja desacelerado. Sam Altman, da OpenAI, e Elon Musk, dono da rede social X e do assistente de IA Grok, afirmaram concordar com Amodei. Outros nomes do Vale do Silício chegaram a dizer que a tecnologia poderia, um dia, ameaçar a sobrevivência da humanidade.

As tentativas de enfrentar esses riscos, no entanto, esbarram na rivalidade entre China e Estados Unidos, as duas principais potências mundiais em IA. Como concorrentes estratégicos, os dois países costumam avaliar os avanços da tecnologia sob a ótica da segurança nacional e das vantagens econômicas, o que levanta dúvidas sobre uma cooperação efetiva. "Se a comunidade internacional espera que o diálogo entre EUA e China sobre essas questões resulte em um acordo vinculante, ficará decepcionada", afirmou Ilaria Carrozza, pesquisadora sênior do Instituto de Pesquisa para a Paz de Oslo (Prio).

A China tem grandes planos para a IA e prevê um futuro em que a tecnologia esteja presente em todos os setores da sociedade e da economia, da agricultura e da saúde às Forças Armadas. O governo chinês, porém, também alerta há anos para os riscos: já em 2017 afirmou que a IA poderia ameaçar a privacidade, a estabilidade social e as relações internacionais. Desde então, passou a exigir que conteúdos gerados por IA nas redes sociais sejam identificados como tal, proibiu parceiros virtuais de IA para menores de idade e vetou o uso de deepfakes para disseminar desinformação.

Em julho, o presidente chinês, Xi Jinping, afirmou que a tecnologia "deve permanecer sempre sob controle humano", durante a Organização Mundial de Cooperação em IA, iniciativa global criada pela China para promover o diálogo sobre governança da IA. Em suas mais recentes diretrizes de segurança, publicadas em setembro, a Administração do Ciberespaço da China afirmou que são necessárias políticas preventivas para evitar que a IA ameace a "sobrevivência e o desenvolvimento da humanidade".

Embora as autoridades chinesas reconheçam o risco de a IA escapar do controle humano, a possibilidade de a tecnologia representar uma ameaça existencial à humanidade ocupa um espaço muito menor no debate na China do que nos EUA. "As discussões na China tendem a se concentrar mais na possibilidade de controlar a tecnologia, no uso indevido e nas consequências sociais, enquanto, nos EUA, o debate passou a ser dominado por cenários hipotéticos de perda de controle ou extinção", disse Shaoshan Liu, diretor do Instituto de Inteligência Artificial e Robótica para a Sociedade de Shenzhen. Segundo ele, a China tenta equilibrar o estímulo ao setor e a gestão de novos riscos — o que, afirma, "é muito diferente de dizer que a tecnologia deveria parar de avançar".

Esta matéria foi publicada primeiro em Internacional · BBC News Brasil e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Por Ivan Marra

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