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CDB ainda paga bem? Taxas indicam possibilidade de ganho de até 40% em 3 anos

Atualizado em 09/10/2026 às 09:35 schedule 4 min de leitura visibility 1 visualizações share 0 compartilhamentos (0)
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Com a Selic em 13,75% e o mercado projetando queda maior dos juros nos próximos anos, o investidor de renda fixa precisa decidir se trava as taxas atuais ou mantém a flexibilidade do pós-fixado. As emissões de títulos bancários em setembro ajudam a orientar essa escolha. Nos CDBs pós-fixados de 12 meses, a taxa média foi de 98,83% do CDI, segundo levantamento da Quantum Finance. "Só que nenhum investidor recebe a média", afirma Guilherme Almeida, head de renda fixa da Suno Research, que simulou o rendimento dos papéis a pedido do InfoMoney.

Com taxas que vão de 90% a 107% do CDI nos papéis pós-fixados, quem sai na frente são os CDBs prefixados, diante da expectativa de queda de juros à frente, que tende a valorizar esse tipo de aplicação, considerada mais arriscada. Na simulação, o maior rendimento alcançou, na média, uma valorização de 40% em um prazo de três anos. O estudo considera aplicação de R$ 10 mil em 30 de setembro, à taxa média de cada prazo, até o vencimento e descontado o IR. Os pós-fixados e IPCA+ usam as estimativas do Focus de Selic a 10% em 2029, e só o prefixado tem retorno conhecido na contratação.

Na avaliação de Almeida, vale investir em CDBs agora, mas não pela taxa média, puxada para baixo pelos grandes bancos de varejo, que captam com facilidade. "Travar abaixo de 100% do CDI, na minha visão, no momento, não faz nenhum sentido", diz. A comparação é com o Tesouro Selic, que, segundo ele, rende cerca de 100,7% do CDI bruto, com liquidez diária, risco soberano e sem taxa de custódia para saldos de até R$ 10 mil. Como até CDBs de liquidez diária costumam pagar 100% do CDI, o papel com dinheiro preso só se justifica acima disso.

Em 24 e 36 meses, Almeida prefere o prefixado, que pagou em média 13,72% e 14,09% ao ano. O CDI médio projetado com base no Focus é de 12,25% e 11,60%, uma folga de 1,5 a 2,4 pontos percentuais. Para o prefixado de 36 meses perder do pós-fixado médio, o CDI teria de ficar acima de 13,98% por três anos. "Não basta o Copom interromper os cortes. Ele precisaria voltar a subir juros ou abandonar o ciclo de corte de uma vez por todas", diz. Ele vê o cenário como remoto, mas cita riscos como piora fiscal após a eleição, inflação e câmbio. Contra o IPCA+, o prefixado só perde se a inflação passar de 6,2% ao ano em 12 meses, 5,8% em 24 meses e 5,9% em 36 meses.

No curto prazo, a lógica se inverte: em seis meses, o prefixado médio paga 12,92%, abaixo do CDI projetado de 13,37%. Em 12 meses, há empate técnico. Almeida lembra que dá para combinar um prefixado longo com um pós-fixado de liquidez. O analista também calculou quanto um CDB precisaria pagar para empatar, depois do IR, com a LCA média. Na média, o CDB perde em todos os prazos, e só os mais rentáveis superam as LCAs médias, como os papéis de 107% do CDI em 12 meses — mas há mais risco. Em seis meses, nem a maior taxa, de 105%, bastou.

Para escolher um papel, a análise deve começar pelo emissor, não pela taxa. "O investidor não pode ficar tentado a olhar só para a taxa contando que no fim das contas teremos a figura do FGC", diz Almeida. Ele sugere checar índice de Basileia, liquidez, rentabilidade e carteira de crédito. Depender só de CDB para captar é sinal de alerta, assim como carteira cheia de precatórios. Dentro do limite do FGC, de R$ 250 mil por CPF e instituição, o prêmio em geral compensa, diz o especialista da Suno. Mas o fundo protege o principal, não o prazo: no caso do Banco Master, quem esperava 130% a 140% do CDI ficou um tempo com o dinheiro parado. Taxas de 105% a 110% do CDI podem ser promoções para atrair clientes. Acima disso, com juros altos, "já começa a configurar um risco muito elevado".

Esta matéria foi publicada primeiro em Economia · InfoMoney e republicada aqui com tratamento editorial (síntese dos pontos mais relevantes), a partir de feed RSS. Ver publicação original.

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Sobre o autor

Por Ivan Marra

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