Caso Master pode ser anulado por causa de crise entre ministros do STF?
Crise entre ministros do STF levanta dúvidas sobre futuro da operação contra o Banco Master
A crise instalada no Supremo Tribunal Federal (STF) após a troca de acusações entre os ministros André Mendonça e Alexandre de Moraes reacendeu o debate sobre a possibilidade de anulação das investigações que atingem o Banco Master. O caso ganhou contornos mais graves depois que Moraes, a partir de um relatório da Polícia Federal, apontou supostas irregularidades cometidas por Mendonça na condução dos inquéritos que apuram fraudes bilionárias no banco e no INSS.
Para a criminalista Marina Coelho, professora do Insper e vice-presidente do Instituto dos Advogados de São Paulo, a reação de Moraes teria como objetivo ampliar o questionamento sobre a validade de toda a Operação Compliance Zero. Na avaliação dela, ao atacar a condução do caso por Mendonça, Moraes tenta criar um cenário que leve à nulidade do processo, já que seria mais difícil se defender das suspeitas levantadas contra ele no mérito. A professora, no entanto, ressalta que não há elementos públicos suficientes para afirmar se Mendonça cometeu ou não ilegalidades, uma vez que o processo corre em sigilo.
Coelho também questiona a validade do relatório da PF usado por Moraes para embasar as acusações contra o colega de Corte. O documento, produzido no âmbito do inquérito das Fake News, não é assinado e foi classificado pela própria polícia como "sem valor probatório". Para a criminalista, um relatório sem assinatura e sem cadeia de custódia mínima não tem valor jurídico. Já o relatório que apontou supostas interações entre Moraes e o banqueiro Daniel Vorcaro, produzido a pedido de Mendonça, é visto por ela como um caso de "encontro fortuito de provas", sem nulidade aparente.
O criminalista Maurício Dieter, professor da Faculdade de Direito da USP, também não vê elementos para uma anulação ampla do caso Master. Ele argumenta que as acusações contra Mendonça não diferem muito da atuação que o próprio STF tem adotado nos últimos anos, especialmente com o inquérito das Fake News, aberto em 2019 sem participação do Ministério Público. Para Dieter, a omissão da PGR contribuiu para que os ministros ampliassem seu poder de investigação, o que enfraquece o argumento de abuso de autoridade contra Mendonça.
O professor destaca ainda que a operação está em estágio inicial e que o caso é tão capilarizado na classe política e no Judiciário que uma eventual nulidade atingiria apenas parte da investigação. Ele defende, porém, que pessoas com envolvimento comprovado com Daniel Vorcaro sejam afastadas do processo, incluindo ministros que tiveram negócios com o banco, direta ou indiretamente. O Banco Master foi liquidado em novembro de 2025, um dia após a primeira prisão de Vorcaro, e a operação já atingiu políticos como o ex-governador do Rio de Janeiro Cláudio Castro e os senadores Ciro Nogueira e Jaques Wagner.
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